Greve dos caminhoneiros: Governo faz acordo mas categoria não reconhece e paralisação continua

Há um racha no movimento grevista dos caminhoneiros. Informações repassadas por entidades que participaram da rodada de negociações nesta quinta-feira (24) no Palácio do Planalto indicam que a paralisação deve continuar em todo o país mesmo com um acordo divulgado pelo governo.
Segundo o Sindicato dos Transportadores de Cargas Autônomos de Formosa e Entorno do DF, pelo menos oito representantes da categoria de Catalão (GO), Ijuí (RS), Mato Grosso, Goiânia (GO) e outras entidades nacionais como a Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCAM) e a União Nacional de Caminhoneiros (UNICAM) se recusaram às alternativas apresentadas e tiveram de sair da sala.
Por isso, a previsão é de continuidade da greve até pelo menos terça-feira que vem, dia 29, quando o Senado pode colocar em pauta a votação do PLC 121/2017 que prevê a política de preços mínimos do transporte rodoviários de carga. A matéria está hoje na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O presidente da casa, Eunício Oliveira, anunciou ontem que a votação do projeto é a prioridade da próxima semana, além da discussão sobre o PL 8456/17 que isenta o diesel do PIS/Cofins e foi aprovado na Câmara.
Para representantes do entorno de Brasília, congelar os preços do diesel, tirar a CIDE e negociar o ICMS não contempla os desejos dos caminhoneiros. Eles querem uma redução significativa também na gasolina e no álcool, porque, segundo eles, “esta é a vontade da população como um todo”.
“A redução dos combustíveis é importante, mas a regulação do frete também. Eu disse ontem na reunião que é preciso sentar autônomos, embarcadores e transportadores para negociar esse valor ano a ano. E esse negociado sobre o legislado precisa de ser regulamentado ou pela lei ou por medida provisória”, explica o presidente da UNICAM, José Araújo, conhecido como China.
Nas rodovias, os manifestantes afirmam não sentir representados e continuam nas estradas, contando com o apoio de muitos produtores rurais, que levaram suas máquinas agrícolas para a estrada, junto aos caminhões parados. A ordem é deixar passar apenas cargas vivas e insumos médicos.
Em nota, a Confederação Nacional de Transportadores Autônomos (CNTA) afirmou que a assinatura do acordo com o governo não representa o fim da greve.  E diz que desde o início assumiu o compromisso de “apresentar as propostas à categoria que está mobilizada nas rodovias para que cada local decida se isso é suficiente para suspender o movimento ou continuar.”
Os reflexos na cidade também já podem ser sentidos. Muitos postos de gasolina estão desabastecidos. E o aeroporto de Brasília já não tem mais combustível. Segundo a empresa que o administra, Inframerica, todas as aeronaves estão no pátio aguardando abastecimento. O terminal recebe, por dia, cerca de 20 caminhões, mas esta semana somente 10 chegaram até lá escoltados pela polícia.
Para ter acesso ao acordo feito pelo governo, clique aqui.
Leia a nota da CNTA abaixo:

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