Setor perde R$ 3 bi com alta do diesel e Temer promete solução até quarta

O presidente da República, Michel Temer, afirmou que está ciente do problema com a alta dos combustíveis, que motivou a paralisação de caminhoneiros em todo o país essa semana e gerou custos adicionais ao setor produtivo agropecuário nos últimos meses, e prometeu uma solução “no mais tardar até amanhã”, quarta-feira, dia 23 de maio. A declaração foi feita em conversa com o deputado Valdir Colatto (MDB/SC), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O encontro ocorreu na tarde desta terça-feira, dia 22, no Palácio do Planalto.

Deputado Valdir Colatto pediu solução ao presidente Temer para alta nos combustíveis (Foto: Aline Rechmann)

“Estive com ele relatei a situação, principalmente na área da avicultura, que está parando a produção, não estão recebendo mais animais, sem conseguir pedir e receber ração para os animais. Ele me disse que está sensibilizado, chamou quem é de direito dessa área, Petrobrás, ANP, Ministério de Minas e Energia, e vai tirar uma posição favorável para resolver o impasse. Ele me disse que hoje sai uma decisão, no mais tardar até amanhã, para baixar o preço.  Estamos acreditando que isso vai acontecer. Vamos ver se consegue acabar com a greve até amanhã para que siga a vida”, afirmou o deputado. Nessa terça-feira, a Cooperativa Aurora anunciou que vai paralisar as operações nos próximos dias em todas as unidades em SC, PR e RS em decorrência da greve dos transportadores.

O vice-presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDE/RS), teve várias conversas por telefone com os ministros Carlos Marun (Secretaria de Governo), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia) e afirmou que todos estão trabalhando em conjunto, pois a solução depende de uma série de medidas que terão que ser tomadas. O parlamentar também vai se reunir nesta quarta-feira com o ministro dos Transportes, Valter Casimiro Silveira, para tratar do assunto.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, deve convidar lideranças de caminhoneiros para uma reunião em Brasília até o fim da semana. Até agora, o governo federal costurou um acordo com o Congresso Nacional para zerar a incidência da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o diesel em troca da aprovação da reoneração da folha de pagamento das empresas, que aguarda votação por deputados e senadores e é de interesse do executivo.

O presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, calcula que os gastos adicionais do setor produtivo com as recentes altas no preço do óleo diesel podem chegar a R$ 3 bilhões. “Nós tivemos nos últimos três meses aumento de R$ 0,50 por litro do diesel. A nossa produção com primeira e segunda safra gasta de 80 a 100 litros de média por hectare. Então estamos gastando de 50 a 60 reais a mais por hectare, fazendo um cálculo simples e transformar em área colhida, perto de 60 milhões de hectares, chegamos a quase R$ 3 bilhões que estamos gastando a mais por causa desse aumento irresponsável da Petrobrás e órgãos que controlam os preços. Por isso tem que ser tomada atitude bem rápida para que isso não venha trazer prejuízo aos produtores e também aos consumidores”.

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