La Aurora fomenta genética e cultura em mais uma grande oferta de brangus e braford

Esta deve ter sido a viagem mais longa que já fiz com uma equipe de trabalho. O destino foi uma cidadezinha no interior de Mato Grosso de pouco mais de cinco mil habitantes. Chamada de Campos de Júlio e com apenas 23 anos de emancipação não perde em nada pela sua juventude, já sendo possuidora de grande importância na agropecuária como uma das maiores produtoras de grãos do estado. E foi a região escolhida pela Estância La Aurora há anos para a expansão de seus negócios no Brasil, sendo a pioneira na seleção do gado britânico. No mesmo local sediou no domingo do dia 9 de julho, pelo segundo ano consecutivo, seu leilão com ofertas de animais das raças angus, brangus e braford. Transmitimos o Leilão Visionários do Centro-Oeste – nome super sugestivo e que abrange todo o contexto do pregão, ao vivo pelo Canal Rural, com entrada alguns minutos antes do previsto, às 12 horas local e 13 horas seguindo o horário oficial de Brasília.

O roteiro até o local do leilão começou em São Paulo, fizemos conexão em Brasília e depois pousamos em Cuiabá. Eu (Bárbara Siviero), o produtor Marcelo Dias e o técnico Daniel Gonçalves, nos reunimos no aeroporto e partimos para uma viagem de Cuiabá a Sapezal. Pelos cálculos daria umas sete horas de estrada, quando na verdade a duração foi bem maior, já que como não conhecíamos o trajeto o jeito foi ficar refém do GPS.

Ao todo foram 500 km de asfalto e 100 km de estrada de terra, e antes de chegarmos a Sapezal fomos parados por um pedágio inusitado, pelo menos para nós que vivemos na capital. Nada de aparelhos eletrônicos, quem detém os motoristas são os índios. E nada de cocar ou pouca roupa. A nação indígena está cada dia mais urbanizada e um deles vestia um moletom da marca Nike. E acha que não tem comprovante? Que nada. Eles são organizados e pelo recibo todo dinheiro arrecadado é em prol da Associação Waymaré. Os índios que encontramos eram da área indígena Utiariti do povo Haliti Paresi.

Chegamos ao Hotel Pelegrino em Sapezal já tarde da noite, mas deu tempo de conhecer um pouco da culinária local. Como no estado de Goiás, em Mato Grosso a famosa “jantinha” (composta por uma porção de arroz, mandioca, farofa, vinagrete e churrasco) também é tradição.

Amanhecemos em Sapezal e já fomos acordados por um céu maravilhoso, típico da região de Mato Grosso, azulado e limpo. Era sábado, véspera do Leilão Visionários do Centro-Oeste e já partimos para os últimos preparativos do evento – no nosso caso verificar o caminhão link, os equipamentos e profissionais – na Fazenda La Aurora. Fomos recepcionados com um almoço delicioso oferecido pelo promotor e proprietário Diego Parodi. Comendo sempre em restaurante é um alívio quando temos a oportunidade de degustar uma comida caseira, feita na fazenda.

No mesmo dia seu Diego promoveu um encontro de negócios com os pecuaristas da região. O intuito foi apresentar as vantagens na seleção das raças brangus e braford que iriam a leilão. Uma das principais características da criação é a alta capacidade de adaptação ao clima e o aumento na fertilidade da fêmea.

O domingo, dia do Leilão Visionários do Centro-Oeste, também amanheceu ensolarado. Para chegar até a Fazenda La Aurora foram mais 80 km de estrada de terra. Com tudo pronto iniciamos a transmissão um pouco mais cedo, aproveitando a finalização do Freio de Ouro realizado em Itu, interior de São Paulo, transmitido ao vivo pelo Canal Rural.

Falamos sobre a história da La Aurora que iniciou seus projetos na Argentina, onde já conta com uma trajetória de uma década. E sobre a permanencia da La Aurora no País Diego se mostra motivado. “Viemos para o Brasil, primeiro que estamos no melhor lugar do mundo para produzirmos carne, e apesar de estarmos em uma cidade pequena é a maior fronteira agropecuária do Brasil, onde temos maior valor agregado. A toda esta sinergia pela produção aqui da soja e do milho. E agora com este material genético e com a melhor qualidade de fibra para produzir a melhor carne do mundo”, finalizou Diego.

Os anfitriões do Leilão Visionários do Centro-Oeste e donos da marca La Aurora, Diego Parodi e Ellen Parodi

A criação de seu Diego faz parte de um grande projeto feito em conjunto com vários profissionais, o AgroLatina. Entre eles o zootecnista Guilherme Missen, que também foi o leiloeiro do domingo. “A seleção e criação tanto do brangus quanto do braford é um trabalho que desenvolvemos cada dia mais. Além da parceria com a La Aurora, dou como exemplo também o estado do Pará, onde 96% do gado exportado hoje, do boi em pé, saem de lá, crescimento do gado sem cupim. Vamos fazer agora em agosto também o primeiro evento no norte de Minas. Por fim, é uma expansão inevitável”, confirmou Missen.

Expansão do brangus para o norte do País que também foi o assunto comentado pelo presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Brangus também presente no evento. “A qualidade da carne que produzimos é evidente e neste processo a La Aurora foi fundamental. Se não fosse Diego e toda sua equipe não estaríamos como estamos hoje no Brasil. O próximo passo agora tem sido estender a criação do brangus para o norte do Brasil”, confirmou o presidente.

Um dos trabalhos desenvolvidos pelo AgroLatina é feito em parceria com universidades, e quem falou sobre isso foi a zootecnista Kamila Andreatta Moraes, que depois de apresentar sua pesquisa aos presentes no evento, comprovando os pontos positivos no cruzamento entre o gado britânico e o zebuíno, também participou da transmissão.

“É extremamente importante nós validarmos cientificamente o que o produtor já sabe que, são os ótimos resultados apresentados por estes animais. Comprovamos que são animais mais eficientes e realmente são animais que se mostram superiores quando o assunto é converter alimento em carcaça”, complementou Camila que continuará com as pesquisas. “Eliminamos a distância entre a pesquisa e o produtor. As análises continuam sendo feitas para mostrar que os animais realmente se adaptam ao clima quente do estado”.

Os primeiros lotes foram de machos. Touros bem avaliados e criados a pasto. Destaque para o brangus Gap M731/14 que estrelou no tatersal. Pesando 778 kg tem em sua genética o Gap Ninja.

Gap M731/14 é da raça brangus e possui em sua genética a linhagem do Gap Ninja

Ao todo foram leiloados 150 animais da raça angus, brangus e braford, sendo 80 fêmeas e 70 machos. Teve ainda pacotes de sêmen.

O lote mais valorizado foi um pacote de 20 fêmeas brangus com média de R$ 5.500. La Aurora 7062, La Aurora 7067, La Aurora 7068, La Aurora 7129, La Brangus 1/2B, Brangus 3/8B foram arrematadas por R$ 110 mil pelo criador Cláudio Afonso.