O cenário do setor no começo do ano

A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto dos Gastos, o envio de uma profunda reforma da previdência para o Congresso, indicadores de reforma trabalhista, além do anúncio de algumas medidas microeconômicas, apontam com firmeza para uma agenda positiva para a economia.

A revista “Agroanalysis” acredita no crescimento para 2017, ainda que pequeno, com a taxa Selic chegando próximo de 10% ao final do ano, a inflação no centro da meta e o dólar flutuando entre R$ 3,30 e R$ 3,70. O “drive” de retomada será dado principalmente pelos investimentos em infraestrutura. A economia deverá voltar a se aquecer no segundo semestre do próximo ano. 2018, apesar de ano eleitoral, deverá ser melhor.

A PEC estabelece que um conjunto de gastos do Governo em um determinado ano não poderá crescer acima da inflação do ano anterior. Contudo as políticas direcionadas para o agronegócio representam uma fração pequena dos gastos públicos e, infelizmente este poderá ser um dos setores mais atingidos pela PEC do Teto dos Gastos.

Porém, como diversas despesas contam com indexadores e outras têm um piso determinado por lei (como saúde e educação), a adequação do volume dos gastos públicos ao teto estabelecido pode comprometer as despesas que não contam com qualquer regra de proteção. Entre estas despesas, estão justamente todos os instrumentos de política agrícola.

Apesar disso, os próprios integrantes do setor encaram isso de forma não tão negativa, mesmo que o setor sofra algum impacto com a aplicação da PEC, pois o gasto excessivo do governo reflete indiretamente no crédito a ser disponibilizado para financiar toda a atividade agroindustrial, isso trará benefícios futuros para o ganho da atividade.

É nesse cenário que o agronegócio começa a se “liberar” da necessidade da presença do Governo de tornar o financiamento da atividade rural possível. Os agentes privados entram em cena, permitindo o avanço e desenvolvimento da atividade rural que sustenta o PIB brasileiro. O financiamento privado, ainda em pequena quantidade no Brasil, tende a prosperar, ainda mais com o cenário atual.

Bruno Drago
Fundador do Instituto IDEA

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