Soja, milho e China: 4 perguntas e respostas antes do relatório do USDA

Nesta terça-feira o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos vai divulgar o relatório de oferta e demanda da safra americana. A semana começou com queda nos preços negociados na bolsa de Chicago para soja e milho diante de expectativas de produção maior, já que o clima tem favorecido o desenvolvimento da safra por lá. Veja 4 perguntas e respostas sobre o mercado de soja e milho antes da divulgação do USDA em entrevista com o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze.

O USDA deve projetar aumento na safra? É por isso que os preços da soja caem agora em Chicago?

Vlamir Brandalizze: É, exatamente. Véspera de relatório todos os analistas de Chicago apostando em safra americana um pouco maior em função de que o clima está muito bom nos Estados Unidos em início de safra. Com isso, todo mundo falando que vai vir mais que 116,5 milhões de toneladas de soja, essa queda é movimento típico de véspera de relatório em condições de safras muito boa nos Estados Unidos. Então, o produtor tem que estar preparado porque nós estamos navegando num mercado mais próximo de US$ 9,5 por bushel do que estava há um mês atrás aos US$ 10,5 por bushel em um mercado um pouco mais frágil nesse momento.

Veja a entrevista completa com o analista de mercado Vlamir Brandalizze:

 

Isso quer dizer que hoje é dia de esperar ou fechar negócios?

Vlamir Brandalizze: Semana passada e essa semana são momentos do produtor ir pescar, porque não é momento de negociar. O dólar está em baixa, a bolsa de Chicago está em baixa, o mercado comprador está esperando receber os contratos que ficaram parados e continuam parados em função da primeira greve dos caminhoneiros e agora ainda tem o impacto dos fretes que tem bloqueado entregas e automaticamente os valores que estão sendo praticados nos Portos estão muito abaixo do que o produtor vendeu nos meses anteriores. Nesse momento não é o momento do produtor fazer fechamentos novos, porque o mercado está muito frágil. Se está muito frágil ele tem que esperar um pouco mais para fechar um pouco a frente, que vai ter demanda interna também. Nós temos muita exportação já contratada e vai ter demanda interna que vai valorizar um pouquinho mais do que o mercado externo a partir do mês de agosto e em diante também.

Um ponto que não foi mencionado é a questão envolvendo o comércio internacional e a China. Todas essas questões envolvendo a guerra comercial podem beneficiar ou prejudicar o Brasil, em qual situação nós estamos?

Vlamir Brandalizze: Nessa questão de China e Estados Unidos o pessoal divaga nos dois extremos. Primeiro tem aquele que é o pessimista, apontam que com essa crise a China vai comprar menos soja, o que não é realidade. Os chineses vão continuar no mesmo ritmo, importando cada vez mais. A China vai só comprar no Brasil e isso vai fazer o preço do Brasil disparar? Isso também não é uma realidade, porque os chineses e os americanos, mais cedo ou mais tarde, vão chegar num acordo e a China vai continuar comprando 30 a 35 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos e vai comprar nesse ano cerca de 60 milhões de toneladas aqui no mercado brasileiro.Eu acredito que o impacto é momentâneo, que é levemente negativo nesse momento, em função do atrito ainda estar um pouco distante de ser resolvido entre os chineses e os americanos. Mas, assim que eles normalizarem a parte comercial nós vamos ter um fator positivo para Chicago talvez de 20 30 40 pontos, que é o que a gente espera a partir do momento que se fechar esse acordo chinês. Aí nós vamos navegar mais no clima dos Estado Unidos, no meio do ano, do que efetivamente em fatores políticos que é o que o caso hoje de China e Estados Unidos.

Agora o preço do milho também recua. Há uma expectativa de aumento também na safra de milho americana?

Vlamir Brandalizze: Com certeza. O clima veio muito bem no início de safra e o plantio americano do milho ocorreu no período da janela ideal e com isso as projeções de safra estão acima de 357 milhões de toneladas. Hoje no mínimo se fala em 1 a 2 milhões de toneladas a mais da produção de milho. E isso também está pesando um pouquinho nos indicativos da negociação de Chicago no pregão de véspera do relatório.

 

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