Veja o que o presidenciável Flávio Rocha pensa sobre economia, preço de combustível e violência no campo

O candidato à Presidência da República, Flávio Rocha (PRB), em entrevista ao Mercado&Cia falou sobre economia, preço de combustível e violência no campo. Veja a entrevista completa:

Quais são as suas principais propostas para o agronegócio?

Eu estou na outra ponta da cadeia de suprimento. Eu era um varejista até 15 dias atrás, mas eu me sinto à vontade no agro porque os problemas são os mesmos. O agro está sob ataque assim como todos que produzem estão sob o ataque. É um cerco burocrático, é um cerco tributário, um cerco normativo e isso ataca a nossa infraestrutura. Existe dinheiro sobrando no mundo para fazer os investimentos necessários de infraestrutura, mas há uma hipernormatização. Existe um problema de segurança no campo, existe uma asfixia do sistema financeiro pelo duopólio que existe. Então o meu compromisso é com a competitividade, eu quero ser o guardião da competitividade do Brasil para que o Agro possa realmente ser a locomotiva da nossa economia.

Para garantir essa competitividade você defende reforma tributária, reforma da previdência, o que você defende que seja feito na economia do país?

Em primeiro lugar a reforma do Estado. Nós temos Estado demais aonde não precisa existir Estado e falta Estado no essencial, que é segurança, educação e infraestrutura. O Estado tem que se opor às barreiras que existem para realização dos investimentos, a segurança no campo é função do Estado e ele está sendo absolutamente omisso. Então esse é o nosso compromisso.

E na economia, qual é a sua principal pauta?

É a de tirar o Brasil da posição de 153º país menos competitivo, justamente pelo tamanho do Estado e pelas travas burocráticas. Com as reformas tributária, previdenciária e a consolidação da reforma trabalhista que está sob ataque e a reforma da previdência com seu forte impacto na taxa de juros para que nós possamos rapidamente colocar o Brasil entre os países mais competitivos do mundo.

Você falou em reforma da previdência, reforma trabalhista e todas essas reformas. Você se considera um candidato reformista?

Sem dúvida. O Brasil tem um clamor reformista. 98% da população que produz, que puxa a carruagem, que paga a conta dessa gigantesca farra estatal acordou e vai exigir as reformas a partir das urnas.

Você falou em taxas de juros. Nessa semana o governo deve anunciar as novas regras do Plano Safra e há muitas críticas em relação a atual taxa de juros da economia brasileira que está mais baixa, inclusive, do que as taxas de financiamentos agrícolas. Quais são as melhores alternativas para o produtor rural na hora de garantir o financiamento agrícola?

Nós estamos no menor patamar de Selic desde a Segunda Guerra Mundial. Só que esse benefício não chega até a ponta, porque não existe livre concorrência no sistema bancário. Nós temos cinco bancos que representam 86% da oferta de crédito. Eu proponho realmente um sistema concorrencial, livre concorrência no setor bancário, para que os bancos consigam reduzir esse spread que continua sendo um dos maiores do mundo.

Para consegui diminuir o spread seria melhor mais concorrência entre os bancos. E você acha que isso resolveria o problema que os produtores apontam dos altos custos para pegar crédito rural?

Eu não tenho dúvida. Nós temos cinco bancos que predominam enquanto nos Estados Unidos tem 16 mil bancos. Com sistema plural de livre concorrência esse spread estaria também nos menores patamares históricos, mas não é isso que está acontecendo. Agora, eu acredito que a competitividade do Agro virá também de setores de infraestrutura. Acho que um sistema financeiro mais irrigado vai possibilitar realmente o financiamento dessas obras de infraestrutura absolutamente essenciais. A segurança do campo e a insegurança jurídica também são ofensores para a nossa competitividade, sem falar na questão trabalhista que é um forte ofensor a competitividade no campo.

Para pegar um tema que é muito atual, eu quero saber a sua opinião sobre a política de preços de combustíveis no Brasil. A gente teve greve dos caminhoneiros, mudança na presidência da Petrobras e tem uma séria discussão sobre a intervenção ou não do governo na formação de preço ao consumidor. Qual é a melhor política de preços de combustíveis para o país?

A justa indignação dos caminhoneiros foi um retrato do Brasil de hoje. 98% dos que pagam a conta, dos que produzem se rebelam contra uma pequena aristocracia que se apropriou do Estado, dos seus monopólios, dos seus privilégios e das suas ineficiências. A crise dos caminhoneiros foi a tempestade perfeita onde ao mesmo tempo se acumularam as ineficiências decorrentes do monopólio, a corrupção, a dívida que chegou a ser a maior do mundo e se quis pagar em dois anos. No sistema concorrencial, de livre-mercado e eu acho que para isso tem que se contestar o monopólio, você teria todos os elos da cadeia com correndo livremente, com isso até as políticas de preço, cada empresa poderia praticar a sua política de preço, a sua política de hedge e qualquer que fosse o ganhador, o grande ganhador seria o consumidor.

Você é a favor então do livre mercado na formação de preço de combustíveis no Brasil?

Aqui na nossa conversa estamos vendo como a falta dos freios e contrapesos do mercado penalizam o mercado de petróleo, o mercado financeiro. Então o mercado é o juiz mais sábio que existe, é o melhor alocador de recursos e é o antídoto mais eficiente contra a corrupção.

Ao longo da nossa conversa você falou muito em segurança e esse é um tema muito caro para os nossos telespectadores. Você defende o porte de armas do campo? Você é a favor de revisar a política de invasão de terras como um crime de terrorismo? Quais são as suas questões envolvendo este tema?

Sem sombra de dúvidas o estatuto do desarmamento fracassou e ele veio contra a vontade majoritária do eleitor que se pronunciou nas urnas em 2005. A tática é perversa do MST, do governo conivente ideologicamente com MST que desarma o camponês e solta o MST. É necessário que se criminalize a ação desses grupos. Nós nos contrapomos a isso e O agro tem uma grande vocação e o potencial de sua locomotiva da nossa economia e nós queremos fazendas aqui, sim. É uma estratégia sórdida asfixiar o nosso Agro e infernizar a vida do nosso Agro para que eles não precisem mais fazer os bilionários subsídios que eles fazem lá nas suas agriculturas ineficientes. Descobriram um caminho muito mais fácil, ao invés de gastar milhões com subsídios aqui se financiam ONGS cujo objetivo em muito casos (salvando as organizações sérias que defendem as causas nobres) o objetivo é apenas tirar o Brasil e o agronegócio brasileiro do jogo competitivo.

Como resolver a violência no campo, Flávio?

Nós temos o estatuto de segurança que foi aprovado e foi apresentado recentemente que tem as medidas corajosas que muitas vezes a covardia perante o “Politicamente Correto” se nega a apresentar estas medidas. É necessário realmente fazer com que volte a ser mau negócio ser bandido e bom negócio ser policial. Não faltam recursos, falta apenas evitar a contaminação ideológica, a socialização da culpa que é o caminho para impunidade. Um dos caminhos, sem sombra de dúvida, é dá ao agricultor brasileiro direito de defesa, o direito de se defender é tendo uma arma.

A gente tem um pouquinho menos mais de 1 minuto e 30 segundos hoje é um dos temas muito recorrentes no mercado internacional é a chamada guerra comercial, em que cada país coloca a medida protecionista e tenta produzir os seus produtos e também protegê-los. Você é a favor de limitar a importação de produtos no Brasil?

Foi um ciclo perverso de perda de competitividade por pelo excesso de regulação, que levantava as barreiras do protecionismo e abria espaço para novas perdas de competitividade. Nós estamos invertendo esse processos. Nós que somos competitivos, nós podemos competir e vamos ser aliados da competitividade brasileira e isso nos levará a uma maior relação de troca com exterior. Nós tivemos também uma política de comércio exterior ideologizada, que nos afastou dos países relevantes, tivemos ao longo dessa história recente com apenas quatro acordos comerciais e são irrelevantes com exceção de Israel. Nós vamos realmente desideologizar a nossa política do Itamaraty, nossa política comercial, fazendo parcerias com quem realmente interessa acordos bilaterais.

Você tem 25 segundos para suas considerações finais.

Meu compromisso é garantir a competitividade não só do agronegócio, mas do Brasil. O agronegócio é a nossa grande locomotiva e tem que ser prestigiado inclusive do apetite fiscal do governo que agora começa a se voltar sobre a nova galinha dos ovos de ouro que é o Agro brasileiro.