Saiba quais os impactos da greve no mercado de soja e milho

As incertezas geradas com a greve dos caminhoneiros afetaram os mercados de soja e milho nos últimos dias. De acordo com o diretor de commodities da FC Stone, Glauco Monte,  a redução da demanda no mercado interno e o esfriamento do ritmo de exportações devem ser sentidos nos preços de comercialização de agora em diante.

Já é possível estimar que impacto a greve trouxe para cadeia de soja e também de milho?

No caso das exportações a gente já estima aproximadamente de 200 a 300 mil toneladas de soja não exportadas e isso poderia ser mais, caso essa situação não se regularize no curo prazo. Minha preocupação é em relação a demanda de milho do mercado interno que já não vinha muito bem, porque esse setor da economia já não vinha muito bem esse ano e a gente teve esse problema de faltar ração para o frango, para o porco e para outros rebanhos e isso de certa maneira vai afetar a demanda de milho no mercado interno. Então realmente os resultados trouxeram uns impactos, eu diria que até que relevantes para o setor de soja e milho, sim.

Qual é a consequência disso em termos de preço ao produtor rural brasileiro?

Com relação ao produtor, sem dúvida isso vá dar uma esfriada em termos de preço. Se você tem uma demanda mais fraca e uma exportação que hoje começa a ficar duvidosa, isso em termos de preço,  pode representar se não queda dos preços uma contenção pelo menos momentânea com relação a isso. Vale lembrar que hoje, além de todos esses problemas, a gente tem a questão do plantio que vem avançando nos Estados Unidos que já pode indicar maior área e também há ainda problemas comerciais entre China e Estados Unidos.

Você passou por aspectos que envolvem exportação, demanda interna, relação internacional avaliando os aspectos que envolvem a produção americana, mas a gente não falou de dólar que é uma variável que tem impactado muito nos preços em reais por saca.  Há uma expectativa de que o dólar volte a gerar aumento no preço da soja e do milho na sua visão?

Eu acho que o dólar, sim, vai estar muito volátil. Essa paralisação vai afetar um pouco a economia, talvez a gente não seja tão positivo como a gente vinha vendo a tendência. E isso, sem dúvidas, reflete nas cotações do câmbio que pode refletir na commoditie. Apesar que eu prefiro muito mais quando a commoditie está, em reais mais alta, por conta dos preços internacionais do que por conta do dólar. Digo isso por causa da relação de trocar com fertilizantes, de insumos, que fica muito melhor ter a commoditie mais alta em dólar e não só a commoditie mais alta em reais por conta do dólar.