O que a prisão do Lula tem a ver com você

As incertezas políticas e o quadro de indefinição para as eleições 2018 afetaram as expectativas dos investidores nesta segunda-feira. Após a prisão do ex-presidente Lula no fim de semana, diferentemente do que muitos imaginavam, os investidores não sossegaram. O mercado parece mesmo é ter acordado para o risco político, já que houve saída de capital do país e aumentou a busca por proteção com compra de dólar. A consequência: a moeda americana atingiu a mais alta cotação desde 2016 e fechou em R$ 3,42.

Só o conturbado cenário da política brasileira contribuiu para a alta do dólar? Não. No exterior, as tensões envolvendo as duas maiores economias do planeta também deixam o ambiente de negócios mais tensos. Há riscos e há oportunidades, claro. Em plena colheita da safra de soja, a alta do dólar empolga muita gente, especialmente porque ajuda a cotação do produto a aumentar. Prova disso é que, mesmo com a queda dos prêmios, a soja subiu em algumas regiões do país, resultado da alta na Bolsa de Chicago e elevação do câmbio. No Porto de Rio de Grande, as cotações subiram de R$ 86,00 para R$ 86,50. No Porto de Paranaguá, os preços se mantiveram em R$ 87,00 por saca, uma das melhores marcas do ano.

A oportunidade aparece com preços mais altos para agricultores que produzem soja, por exemplo. Por outro lado, se a curva de alta do dólar continuar, há risco de custos mais elevados para a próxima safra.  Todo esse sobe e desce acaba afetando a confiança de produtores, que começam a repensar alguns investimentos, declarou o presidente da Comigo na abertura da Tecnoshow  Comigo, em Rio Verde (GO).

“Nós temos a incerteza do que vai acontecer com o país hoje. Há indecisão dos empresários para o investimento e isso é preocupante. O produtor também fica numa situação de desequilíbrio quando vê todo esse cenário. Ele quer fazer novos investimentos, mas fica difícil. São volumes de recursos expressivos e dá uma insegurança não só para o produtor”, explicou o presidente da Comigo, Antonio Chavaglia.

A semana começou nervosa e deve continuar assim, pelo menos até quarta-feira, quando o STF pode suspender a prisão em segunda instância no Brasil. E, aí, Lula pode ser solto? Pode. E o que isso significa para o futuro? Segundo o economista da Infinity Asset Jason Viera, significa volatilidade maior do que se esperava anteriormente. “Se ele for liberado, será candidato? A possibilidade é nula”, diz ele.

O fato é que o mercado está atento para as consequências disso no futuro e os impactos na disputa eleitoral. Diante disso, o consultor da Federação da Agricultora de Goiás, Pedro Arantes, alerta: “Tem que ter muito cuidado, acompanhar bem o mercado, acompanhar todas essas posições para evitar perder oportunidade de negócio”.

Afinal, o que a prisão do Lula tem a ver com você? Se analisarmos os impactos no mercado, algumas das respostas parecem já ter sido dadas.

Veja a entrevista completa com o presidente da Comigo, Antonio Chavaglia:

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil