Veja 10 respostas de Jair Bolsonaro sobre economia, trabalho escravo, armas e MST

O pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro respondeu questões sobre economia, importação de produtos agrícolas, segurança no campo, trabalho escravo, MST  e mais durante entrevista ao programa Mercado&Cia, nesta quarta-feira.

Veja a entrevista completa no vídeo:

Leia a íntegra da entrevista

Kellen Severo – A gente gostaria de saber quais as suas propostas voltadas para o setor do agronegócio.
Jair Bolsonaro – Eu tenho andado pelo Brasil e conversado com muita gente do setor e obviamente buscando soluções, respostas para isso. Creio que a mais importante do momento seria a possível fusão do Ministério da Agricultura com o Ministério do Meio Ambiente. Isso aí eu acho que entrou como uma luva nessa área.
Nós temos que tipificar como terrorismo as ações do MST. Temos pela frente o programa do Funrural. Temos em gestação no Senado uma modificação da Lei Kandir por ocasião da exportação do que vocês produzem no campo. Uns já falam em cobrar até água que existe na própria região. Daqui a pouco vão querer cobrar até vento que espalha o pólen pela plantação.
E o que mais pedem para nós é o seguinte: temos que ter um presidente que não nos atrapalhe, além da outra questão, da segurança, segurança jurídica. Se vocês lerem por exemplo a Emenda Constitucional 81, ela relativizou a propriedade privada. Até pergunto para o proprietário: “Tem certeza de que essa fazenda é tua?”. Isso vale para o homem da cidade também: “Tem certeza que esse apartamento, essa casa é tua?”. Leia a Emenda Constitucional 81 e entenda que muito jurista entende como trabalho análogo à escravidão como se escravidão fosse.
E depois tem a questão de infraestrutura, o escoamento do material, os gargalos nos portos, meios de transporte. O que fazer, por exemplo, se o Brasil não tem o dinheiro? Como você vai implementar essa área? Tem que entender, tem que buscar a iniciativa privada, tem que haver contratos de 60, 70, 80 anos para quem for investir naquilo, não interessa se é uma ferrovia, uma rodovia ou uma hidrovia. Tem que dar essa garantia para que você possa então casar interesses vários para atender o homem do campo. E, atendendo o homem do campo, estar atendendo o Brasil como um todo.

Kellen – Um outro ponto que é muito importante para o agronegócio tem a ver com financiamento, com crédito rural. Há hoje um questionamento do Plano Safra em vigor, já que a Selic caiu e as taxas do Plano Safra estão mais altas do que a própria taxa básica de juros da economia brasileira. Como baratear o crédito para o agronegócio?
Bolsonaro – A gente não vai fazer milagre nem propor soluções mirabolantes. Tenho conversado com um economista sobre esse assunto. Ele é um dos maiores defensores dessa questão. Alguns até me perguntaram há um tempo atrás: “Vai privatizar o Banco do Brasil?”. Tem a ver em parte com a sua pergunta aqui. Eu responderia: “Quem vai financiar isso (se bem que nem todos dependem desse financiamento) e com que taxa de juros?”. Nós temos que dar essa proteção para quem quer investir. O homem do campo está em um dos poucos setores da nossa economia que está dando certo.

Kellen – O senhor tem uma ideia de que a privatização pode gerar mais competição entre os setores e fazer o produtor conseguir pegar uma taxa de juros mais barata?
Bolsonaro – Não, o contrário. Eu acho que por enquanto não temos essa cultura no Brasil. Existe a carteirização, existem os acertos por cima e temos até que ficar ligados.

Kellen – Quanto às reformas, um tema muito batido no Brasil recentemente, reforma da Previdência, reforma tributária, reforma trabalhista. O que o senhor defende para o seu governo?
Bolsonaro – Um grande economista disse ontem e foi publicado em alguns jornais. Para você entender a reforma fiscal e a tributária tem que ter PHD em economia. Então isso está a cargo da equipe econômica, e não tem como resolver isso de uma hora para outra. Por exemplo, o meu economista defende imposto único mas ele tem consciência de que, para atingir um imposto único, vai ser em um mandato ou dois. Mas, temos como diminuir a quantidade de impostos até para facilitar a vida dos produtores.

Kellen – E quanto a segurança? O campo vive dias de muita insegurança. Qual é a saída para resolver tudo isso?
Bolsonaro – Várias medidas. Primeiro, devemos tipificar as ações do MST como terrorismo. Depois, a questão da posse de arma de fogo para os brasileiros como um todo. Hoje em dia a bandidagem tem a arma que bem entender, o homem do campo precisa ter a posse de arma de fogo para usar em toda a sua propriedade. E mais: não é apenas usar. Caso use, ele deve ter a retaguarda jurídica de que não vai ser ouvido, processado e punido por aquilo.
Invasão de propriedade, não interessa se é teu apartamento, tua casa, teu sítio, tua fazenda, é uma questão considerada como sagrada. Invadiu a propriedade, quem está lá dentro tem o poder de reagir. E eu não estou inventando nada, tudo basicamente o que eu faço nessa área eu venho copiando a legislação de estados norte-americanos.

Kellen – E se um homem de bem atirar em um bandido que invadiu a propriedade, que garantia ele tem de que não vai ter uma punição?
Bolsonaro – Hoje em dia você pode ser. Veja o caso Ana Hickman. O cunhado teve o seu processo arquivado. Ele estava indo para o tribunal do júri, porque um marginal invadiu um quarto de hotel e deu dois tiros na esposa dele. Ele se atracou com o marginal e acabou disparando três tiros da arma do marginal na cabeça dele. E a legislação brasileira entende que isso seria um excesso de legítima defesa.
Temos que mudar isso, acabar com a figura do excesso no Código Penal e dar o poder de licitude, não só para os policiais em operação, bem como na legítima defesa de fato, como a invasão de privacidade. O elemento responde mas não tem punição.

Kellen – A gente também presta muita atenção em logística, deputado, especialmente porque o agronegócio é altamente impactado pela má condição das estradas em várias regiões do Brasil. Como recuperar a infraestrutura brasileira?
Bolsonaro – Hoje, 93% do orçamento é comprometido como despesa obrigatória, sobra 7% para todo o resto. Esse recurso não dá para você atender aquilo que o Brasil precisa, você tem que procurar iniciativa privada. Como eu disse há pouco, quem quiser investir em iniciativa privada numa rodovia, numa ferrovia, ou de vias aquáticas, que o faça com a garantia jurídica e com prazo de validade por muito tempo, para poder compensar o investido por aquele empresário.

Kellen – Um dos assuntos em destaque no mundo inteiro é a guerra comercial entre Estados Unidos e China. A China revidou as taxações dos Estados Unidos e há uma taxação em vista da soja americana. Como que o senhor pretende trabalhar a questão de comércio internacional? O senhor é favorável a barrar importações de algumas culturas?
Bolsonaro – Olha só, o comércio do Brasil, em parte via Mercosul, é feito pelo viés ideológico. Tanto é que o Brasil está na iminência, já está importando banana do Equador, dando uma volta de 10 quilômetros no Canal do Panamá até chegar ao Porto de Santos. Estamos importando indiretamente coco da Indonésia, e tinha informações que o milho está vindo do Paraguai, também o etanol dos Estados Unidos.
Não é questão de barrar ou não barrar. Nós temos que investir para que nós possamos produzir. E eu não quero falar em industrialização e substituição à importação. Não é bem isso. Até porque é bom você não ter autossuficiência em tudo o que você imaginar. Alguma coisa é até bom você ser dependente de outros. Então nós temos que fazer com que a nossa economia seja pungente. Ao aquecer a nossa economia, eles têm que se preocupar conosco, e não nós com eles.

Kellen – Significa uma economia mais fechada, caso o senhor venha a ser presidente? É isso?
Bolsonaro – Não, não é fechada a economia. Você tem que partir para livre iniciativa, fazer negócio com o mundo todo, como eu estive recentemente na Ásia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan. Estive em Israel, estive nos Estados Unidos também. Lá tem um mercado muito grande para nós exportarmos, em especial, as commodities, os produtos aqui do campo.
Não é fechar o comércio para eles, mas nós temos que nos tornar menos dependentes de certas coisas que nós importamos. Eu costumo dizer que a gente não pode continuar exportando um navio de minério de ferro e importando uma canoa de aço.

Kellen – Hoje o Brasil inteiro está prestando atenção no STF, que pode abrir espaço para uma revisão da prisão em segunda instância. Qual é a sua opinião sobre isso?
Bolsonaro – Eu acho que é muito grave o que pode acontecer no Supremo hoje. Até ontem à noite eu apostava que o Lula seria posto em liberdade por 7 a 4. Tivemos agora o conhecimento da participação do Exército nessa questão. O Exército Brasileiro não é uma força que vai estar subordinada ao governo de plantão para defender esse ou aquele partido. O partido do Exército, da Marinha, da Aeronáutica chama-se Brasil.
A minha opinião é a seguinte: com ele posto em liberdade, vai continuar andando pelo Brasil. Num momento oportuno ele vai registrar a sua candidatura, caso o TSE diga que não cabe o recurso ao Supremo. E tenho certeza de que o Supremo bota o Lula em liberdade hoje e vai conceder o direito de disputar as eleições. Ao disputar as eleições sem o voto impresso, apesar de ser ideia de minha autoria que o TSE não quer cumprir, o Lula tem tudo para se eleger na fraude.
E, mais grave ainda, essa fraude pode se estender para a questão proporcional. Ou seja, a fraude pode existir nas eleições para deputados federais e senadores, colocando aí um sinal vermelho para a democracia e o que é mais grave, para a nossa liberdade.

Kellen – Nós temos 1 minuto final para as suas considerações finais.
Bolsonaro – Obrigado pela oportunidade. Por favor, leiam a emenda constitucional 81. Ela relativizou a propriedade privada. Você pensa que é o dono dessa terra. Olhe para o que é seu porque são 180 itens que você pode estar infringindo a questão chamada trabalho análogo à escravidão. Ninguém quer o trabalho escravo. Agora, punir o trabalho análogo pode ser a espessura de um colchão, uma roupa de cama maltratada ou a falta até de um banheiro químico em uma frente de serviço, você perder a sua propriedade rural.
Essa é uma emenda que foi lamentavelmente aprovada, e a esquerda vem fazendo isso ao longo do tempo no Brasil para exatamente dominar a propriedade privada. Ou seja, acabar com a nossa propriedade privada, maior preocupação que eu tenho entre tantas outras. Pretendo brevemente, caso haja o interesse, fazer uma live onde fico aberto a várias perguntas do homem do campo para você exatamente se inteirar de quem eu sou e os riscos que nós corremos para com o futuro do nosso Brasil.