Rentabilidade da pecuária será melhor no segundo semestre, projeta consultoria

A rentabilidade da pecuária será melhor a partir do segundo semestre do ano, projeta o analista de mercado da Radar Investimentos, Leandro Bovo. Segundo ele, a queda nos custos e melhora na cotação da arroba são alguns dos fatores que devem confirmar a melhora de cenário nos próximos meses. Acompanhe o bate-papo:

Há uma previsão de melhora na rentabilidade da pecuária puxada somente pela queda dos custos ou há outros motivos? 

Leandro Bovo: Se a gente pegar dados do mercado futuro de milho e de boi, como referência para a situação, o mercado tende a melhorar um pouquinho nos próximos meses. Você tem o mercado futuro de milho projetando uma queda ao redor de 10% em relação aos níveis atuais e o mercado futuro de boi projetando uma alta de 5% de agora até outubro.

A situação dos preços, na maioria dos casos não está agradando os pecuaristas, há quem reclame que as cotações não estão cobrindo os custos atuais. A situação atual vai melhorar para o pecuarista?

Leandro Bovo: A expectativa é que sim, melhore. A gente tem um stress muito grande com o milho por conta da logística que estava totalmente voltada para soja e essa questão está sendo revolvida, a colheita da soja praticamente já terminou e vai liberando a capacidade logística para o milho, que vai entrar a safra de verão ainda sendo colhida e tem a safrinha que está se desenvolvendo bem. A tendência dos preços dos cereais nas próximas semanas, no curto prazo, é ter um pouco mais de oferta disponível e logicamente isso vai dar um alívio na situação de quem precisa do cereal agora no curto prazo.

Veja a entrevista completa com o analista de mercado da Radar Investimentos, Leandro Bovo:

Aí a gente está olhando para custo, vamos olhar para preço do produto. Há notícia que os abates aumentaram nos últimos dois meses no Brasil e com o aumento de abates de animais há uma oferta maior. Isso vai pressionar a cotação da arroba do boi gordo para baixo? Até quando?

Leandro Bovo: Essa é uma questão bastante relevante. Esse aumento de abate já era de certa forma esperada, como as diversas indústrias aumentaram sua capacidade de abate, reabriram plantas e aumentaram turnos, eu já imaginaria que existiria uma demanda maior por boi nesse começo de ano. Agora,  os dados do SIF divulgados de janeiro e fevereiro foram até  surpreendente, pois eles dão conta de um aumento de abate bastante forte. E mesmo com esse aumento de abate a gente viu uma ligeira pressão de baixa do mercado.  Então, se a indústria por algum motivo diminuir a sua capacidade de abate, essa oferta existente tende a pressionar um pouco mais o preço do boi gordo aí ao longo da safra.

Quanto ao consumo. Como que está a demanda no varejo?

Leandro Bovo: A demanda no varejo está sendo muito impactada pela concorrência com o frango. A diferença de preço entre a proteína bovina, a suína e de frango está muito grande. Essa concorrência está favorecendo as proteínas mais baratas e essa diferença aumentou nos últimos meses entre a proteína bovina, suína e de frango. Então é difícil a gente conseguir aumentar o preço da carne no atacado no curto prazo, até absorver todo esse excesso de oferta de frango e suíno a gente ainda vai enfrentar essa concorrência bastante grande dessas outras proteínas.

Veja também:

Dólar atinge cotação mais alta do ano e eleva preço da soja em plena colheita no Brasil 

O dólar é um fator extremamente importante para a formação do preço. Desde o começo de fevereiro a escalada de alta ajudou bastante a formação dos preços em reais e sem dúvida é um dos suportes desse preço alto, que atravessa as barreiras dos R$ 80 por saca na maioria dos portos como Paranaguá e Rio Grande,  explica o diretor de commodities da INTL FCStone Markets, Glauco Monte.

Acompanhe no vídeo a entrevista completa sobre a tendência de preços para soja :

 

Foto: Divulgação/AEN-PR