Eleições 2018: saiba quando o mercado vai começar a reagir às notícias da disputa

Eleições 2018: Quando o mercado deve começar reagir às notícias da disputa? Confira essas e outras respostas no bate-papo com o analista político, Richard Back.

O Lula vai estar presente nas eleições 2018? Ele vai disputar?

Richard Back: Primeiro, todo esse julgamento do STF é sobre a liberdade do Lula, habeas corpus restrito a isso. Segunda coisa, eu acredito que o Lula vai estar nas eleições, sim. Até morto ele estaria, porque vão usar a imagem do Lula de alguma maneira, o PT, os candidatos de centro-esquerda que estiverem afinidade com o PT usam a imagem dele. Então, o Lula vai estar nas eleições. A questão é: livre ou solto. Se ele é candidato? Eu acho que não, eu acho que ele não chega na urna porque o julgamento dia 24 em Porto Alegre condenou o Lula e tirou ali o direto político dele, ou seja, ele vira ficha suja. Isso é difícil você conseguir apelar contra, é difícil ter um resultado positivo em Brasília para isso. Pela liberdade do Lula, acho que é de interesse não só dele mas também uma grande pressão do meio político de uma forma geral. Não se trata nem de manifestação de rua, mas da pressão que traz o meio político. As forças que sofreram com a Lava Jato, agora querem uma solução para isso, e o Lula é o peão formidável para você tentar derrubar isso no STF.

Você acha que não há uma chance do Lula escapar das regras da Ficha Limpa?

Richard Back: Eu acho bastante pequena a chance dele, mas sempre há chance. O judiciário brasileiro oferece muita janela, mas nesse ponto é muito linear, então é difícil. O Lula pode até inscrever a candidatura, mas é muito improvável que o TSE dê o registro definitivo para ele e ele esteja na urna no dia 7 de outubro.

Veja a entrevista completa com o analista político Richard Back:

É uma eleição muito pulverizada. Acabou de ser confirmado há pouco a informação que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vai deixar o governo para disputar o cargo de presidente da República.  Ao mesmo tempo o presidente Michel Temer afirmou em entrevista para a revista Isto É que ele não teria como ficar fora dessa disputa. Como fica essa situação, Richard?

Richard Back: Vai ter muita gente tentando e  é um cenário que ninguém despontou como um grande líder. Se o Lula ainda tivesse nessa disputa, você tinha alguém que liderava e aí recomendaria maior concentração de outras assinaturas em uma só para enfrentar isso. Como não tem, todo mundo tem 8, 10, 15%, num cenário desse todo mundo é mais ou menos parecido. Então você lança a sua sorte para ver onde chega até o meio do ano. Até o meio do ano é muito cálculo político. Claro, você tem algumas candidaturas que são desejos pessoais, acho que o Paulo Rabello de Castro, o próprio Meirelles.  O Meirelles ainda tem uma situação difícil, porque o MDB vai calcular quais são as alternativas que eles têm até agosto. Não é dado que o Meirelles sai hoje do Ministério e automaticamente ele é candidato, não é bem assim. E tem também uma proliferação muito grande, na centro-esquerda que tem a Marina, o Ciro, o Guilherme Boulos, a Manuela no PCdoB,  você tem o candidato do PT que pode aparecer, quer dizer que só nesse campo você tem cinco. No centro, tem o Alckmin, Paulo Rabello, Meirelles, Rodrigo Maia, mais o Bolsonaro. É parecido com 1989? É parecido com 89. E em 89 o Lula passou com menos de 1% para o segundo turno e deu o resultado que deu a eleição, venceu o Collor e a gente viu como ficou. Recomendam-se cuidados quando você tem muitos candidatos porque fica descontrolado.

Além, naturalmente, do interesse na política, o fato é o quanto isso impacta na vida de cada um de nós, a exemplo do mercado financeiro e dos negócios do mercado agrícola. A partir de quando o mercado vai começar a colocar preço nessas informações?

Richard Back: Não, ainda não. Eu acho que depois da Copa do Mundo o mercado não vai olhar para outra coisa e aí não importa se o externo está muito bem. O preço dos ativos vai reagir muito às pesquisas e à construção das candidaturas. Antes disso, pode ser incremental, isso vai aumentando, mas depois da Copa do Mundo a grande pauta do mercado é política e eleição.

 Quem você enxerga como os dois principais candidatos das eleições de 2018?

Richard Back: Eu quero citar três. Eu acho que tem um, apoiado pelo Lula, que pode ser o Ciro ou pode ser alguém do PT, já que o Lula consegue transferir uma parte dos votos que tem. Tem o Alckmin no centro, eu acho que a candidatura mais bem formada no centro é a dele, que tem potencial se a Lava Jato não o atingir fortemente,  a do Rodrigo Mais e as outras tentam se viabilizar, mas a dele [Alckmin] já existe e está mais adiantada. E à direta do Alckmin tem o Bolsonaro. São os três que existem hoje, são os três que estão disputando duas vagas.

E qual vai ser o discurso na sua visão que vai ter mais adesão? Discurso populista ou reformista?

Richard Back: Acho que reforma no Brasil e na América do Sul, de uma forma geral, é difícil. O candidato ir para eleição e dizer “ vou para eleição para fazer reforma da previdência” é complicado. Mesmo que você tenha passado por uma crise econômica muito pesada e a crise fiscal ainda esteja aí, o eleitor comum não tem compreensão disso, então não dá para o candidato ir de peito aberto falando tão diretamente sobre isso. Agora, eu acho que o discurso populista também não tem tanto espaço, porque não tem dinheiro. Então, quando você perguntar para esse candidato de onde ele vai tirar o recurso, não tem mágica. Eu acho que o discurso é um pouco mais responsável, discutirá um pouco mais de Brasil. Você tem uma eleição que vai discutir um pouco mais do Brasil, só que uma eleição focada mais em temas da vida real das pessoas, quer dizer: segurança, direitos civis, essas coisas que afetam as pessoas e o bolso, porque no fim do dia o que as pessoas querem é melhorar de vida.

Falando de bolso, uma das conexões mais imediatas com o nosso público tem a ver com o dólar. A gente está falando das eleições 2018 e esse quadro já começa a mudar. A grande questão é:  com a saída de Meirelles o dólar pode reagir a uma possível nomeação política de Temer para substituí-lo?

Richard Back: Pode. Se tiver uma nomeação política, não é definitivamente uma notícia boa. Significa você pressionar gasto já com um déficit enorme para esse ano. Você tem dificuldade de cumprir regra de ouro, teto de gastos no médio prazo, quer dizer, não é boa notícia. O ideal é que seja alguém da equipe do Meirelles. Alguém de fora disso, uma indicação notadamente política, tem reação no mercado.