Exclusivo: mulheres do agro ganham até 99% da remuneração dos homens

Pesquisa inédita revelou que dentre os segmentos do agronegócio, a diferença é menor na pecuária onde as mulheres, na média, ganham 99% do que é recebido pelos homens

Em 2017, as mulheres brasileiras ganharam, em média, 76,2% da remuneração paga aos homens segundo dados do IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de domicílio (Pnad).

Os indicadores que comprovam a diferença salarial já são nossos antigos conhecidos, mas é preciso que sejamos insistentes ao tratar deles, pelo menos, até que a realidade mude. Nesta semana em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, uma pesquisa inédita do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas joga luz ao tema e traz uma boa notícia: no agronegócio esse diferencial de salários é menor do que na economia brasileira, ou seja, as mulheres receberam 78,3% do que foi recebido pelos homens. Dentro do agronegócio, o diferencial é ainda menor na pecuária, setor no qual as mulheres receberam, em 2017, 99% do valor da remuneração média dos homens.

Uma das hipóteses para a menor diferença de remuneração da pecuária é porque a pecuária tem tipos de ocupação mais homogêneos. Ou seja, grande parte daquilo lá é criação de bois. O valor pago ao pecuarista homem não é muito diferente do que é pago para a pecuarista mulher, explica Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos em Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas.

Na indústria de insumos, mulheres ganharam 16,7% a menos do que os homens, uma diferença que foi menor do que na média da economia brasileira (23,8%). Na agroindústria, no setor de serviços e nas atividades agrícolas o diferencial de remuneração entre homens e mulheres é maior do que em outros setores do restante da economia. No setor serviços associados ao agro ganharam 29,8% a menos e na agroindústria a diferença chegou a 37% e atividades agrícolas 28,4%.

Embora as mulheres ainda tenham remuneração, na média, menores do que os homens essa diferença está diminuindo e com intensidade maior no agronegócio, destaca Serigati.

Na economia brasileira, no acumulado entre 2012 e 2017, enquanto as remunerações dos homens cresceram 3,6%, das mulheres avançaram 6,6%. No agronegócio, a remuneração entre as mulheres aumentou 10,6% e dos homens 6,6%. Apesar da expansão mais acelerada no agronegócio, na média, as mulheres ainda ganham menos no agro do que no restante da economia. Em 2017, no agronegócio as mulheres ganharam, em média, R$ 1187 valor inferior à média nacional que ficou em R$ 1763 (já descontado a inflação).

Veja mais sobre a pesquisa na entrevista com Felippe Serigati, economista e pesquisador do GV Agro.

*Importante: No texto não é usado o conceito de salários, pois o IBGE não acompanha apenas a população empregada, mas a população ocupada. Dentro do universo da população ocupada, temos os empregados, empregadores, autônomos e o trabalhador familiar. Desses, em geral, apenas empregados recebem salários e remuneração abrange todos esses tipos de ocupação.