Carne Fraca: entenda efeitos da operação Trapaça para o agro

A Polícia Federal deflagrou hoje a operação Trapaça, terceira fase da operação Carne Fraca. As investigações tem o objetivo de apurar fraudes praticadas pela BRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e laboratórios que tinham a finalidade de burlar o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e não permitir a fiscalização eficaz do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Em coletiva de imprensa, representantes do Mapa afirmaram que o principal problema das fraudes  estava relacionado à presença ilegal da bactéria salmonela.

A ação conjunta da Polícia Federal e Ministério da Agricultura foi elogiada por especialistas em Defesa Sanitária que consideraram um avanço a forma como foi conduzida e comunicada a investigação, depois do fracasso visto na primeira fase da Carne Fraca em 2017.  Os impactos no mercado de aves devem ser sentidos a medida que países compradores da carne de aves do Brasil podem anunciar embargos. “Todos os concorrentes vão se aproveitar disso com declarações do tipo ‘está vendo ele teve um problema de corrupção, problema de sanidade e etc ‘ e então seria bom que o desfecho disso fosse rápido para evitar danos para a cadeia”, afirmou o presidente da Scot Consultoria, Alcides Torres.

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O consumidor brasileiro pode perceber mais uma Operação da Polícia Federal no setor de carnes como alerta ao risco de ingerir o produto, o que não é verdade apontam os profissionais de defesa sanitária. “Não há um problema de saúde pública”, defende o consultor em Defesa Sanitária, Enio Marques. “A salmonella é relevante pois é uma doença de notificação obrigatória pela OIE e é uma doença contagiosa de alto impacto na produtividade”, acrescenta.

 

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Como nas etapas anteriores, a ABPA, em nome de toda a cadeia produtiva, defendeu o correto levantamento de problemas e a exemplar punição aos envolvidos. ” É importante, entretanto, que os erros do passado não se tornem recorrentes: são situações ainda em investigação e pontuais, não uma situação generalizada”, esclarece em nota a Associação Brasileira de Proteína Animal.

O Ministério da Agricultura anunciou a suspensão da exportação para 12 países das plantas envolvidas na operação, já que os mercados importadores exigem requisitos sanitários específicos de controle de salmonella. Os laboratórios que foram alvo da operação também tiveram o credenciamento suspenso até o encerramento das investigações. E como medida complementar, o MAPA vai aumentar a frequência de amostragem realizadas com salmonella para as empresas envolvidas.