Milho encosta em R$ 40 na B3. Até onde vai a alta do grão?

O preço do milho ultrapassou R$ 40 por saca durante alguns momentos do pregão da B3 nesta quarta-feira, o que representa uma das cotações mais altas de 2018 no mercado futuro. A cotação perdeu força ao longo da tarde e estabilizou ao redor de R$ 39. No mercado físico, o grão também se valorizou e acumulou alta de 17%, base Campinas, no acumulado de fevereiro até ontem. De acordo com o indicador Cepea/Esalq o valor da saca saiu de R$ 32,08 no primeiro dia do mês e fechou nesta terça-feira em R$ 37,62. A diminuição da área plantada na primeira safra de milho somado aos riscos para o plantio da segunda-safra fora da janela ideal em algumas regiões do país devem gerar redução de oferta. Além disso, consultorias apontam um dos estoques mais baixos em 10 meses no Brasil e a sustentação da demanda como fatores que explicam a alta.

 Até onde vai a onda de valorização do grão? O trader da Lansing Trade Group, Marcos Araújo, opina:

Um dos estoques mais baixos nos últimos 10 anos alimenta esse movimento de alta no mercado até quando?

Marcos Araújo: O mercado do milho segue esse mês agora que vai entrar março. Nós temos um estoque menor do que em 10 meses e por isso o mercado fica um pouco apreensivo com toda essa alta e também é claro com toda essa preocupação com o plantio e o desenvolvimento do milho safrinha.

Os estoques são os menores dos últimos meses e a demanda está aquecida. Essa situação vai se agravar de agora em diante?

Marcos Araújo: A demanda está aquecida.  Os próximos meses de março e abril vão ser os meses mais críticos de fornecimento de milho no Brasil. Nós devemos ter estoques em torno de 37 dias de consumo mensal e a gente vê o mercado muito aquecido com poucas ofertas. O produtor nesse momento está reticente com a venda porque ele ainda não tem uma confirmação do plantio de safrinha.

A gente acabou de ver na B3 o contrato de março a R$ 40,20 um dos preços mais altos do milho em 2018. Porque essa puxada tão forte?

Marcos Araújo: Vencimento março realmente já está próximo do mês do contrato e ele reflete a realidade do mercado e toda essa disparada aí diante dessa lendária escassez. Nós também temos uma redução da safra de milho verão esse ano com a produção prevista ao redor de 25 milhões de toneladas e vamos ter então a entrada da safra de verão ao longo de fevereiro até o mês de junho.

A gente quer saber como que está o ritmo de comercialização.  Tem produtor aproveitando para fixar preço agora?

Marcos Araújo: Tem sim. O mercado, principalmente nas operações futuras, na B3, tem dado esse melhor preço de oportunidade para o produtor rural fazer hedge, a proteção de preço do milho. Eu acredito que esse patamar de milho safrinha a R$ 34,70  tem que olhado com muito cuidado e nós vamos chamar atenção porque esse ano assim como foi em 2016 nós vamos ter um período muito rápido de transição do milho e aí deve ocorrer uma queda acentuada a partir do final do mês de maio para começo de junho com a entrada colheita do milho. Então nós podemos ter uma forte queda nessa transição de mercado entre escassez do produto e entrada de safrinha. O produtor tem que ficar atento se for segurar o milho ao longo 2018.

Você está chamando a atenção do agricultor. Agora, vamos falar também para o comprador de milho como suinocultores independentes, pecuaristas e todos que dependem da ração para os animais. Qual é a orientação?

Marcos Araújo: Como nós falamos, 73% do suprimento do milho no Brasil hoje vem da safrinha, então se nós tivermos uma continuidade do problema do milho safrinha esse cenário pode piorar. Eu acho que é importante sim eles fazerem a sua conta se a relação de troca estiver positiva, kg de frango vivo, kg de suíno vivo em troca de milho, ele pode sim entrar na B3 fazendo o seu hedge para controlar o custo da matéria-prima.