NOAA projeta pouca chuva para Argentina e alta da soja em Chicago pode se manter, diz analista

O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) divulgou os mapas para previsão do tempo na Argentina ao longo dos próximos 15 dias. Segundo a meteorologista Desireé Brandt, da Somar Meteorologia, a indicação é de chuvas não uniformes. “Somando a chuva dos dois mapas a gente chega a um acumulado de 50 a 70 milímetros na província de Buenos Aires, mas nas áreas mais ao norte, onde ficam as principais regiões produtoras, a chuva chega ser até mais forte, no entanto ela é mal distribuída e pouco duradoura. Mesmo que venha a chover forte, vai ser localizada e passageira e isso não recupera o déficit hídrico das principais áreas produtoras”, esclarece. Veja os mapas:

 

 

Nesta quarta-feira a soja voltou a fechar acima dos US$ 10 por bushel na bolsa de Chicago. O  Blog conversou com o analista de mercado da Terra Agronegócio, Ênio Fernandes, que avaliou a tendência de preços com a previsão de poucas chuvas para a Argentina e as oportunidades de negócios no atual momento da safra brasileira. Veja o que ele disse:

Há incertezas climáticas suficientes para aumentar ainda mais o preço da soja lá na Bolsa de Chicago?

Ênio Fernandes: A gente tem que lembrar que há poucos dias, no começo desse mês, a bolsa de Chicago estava rodando entre de US$ 9,8 e US$ 9,85 por bushel. Nós já estamos falando de US$ 10,15 por bushel,  quer dizer que é uma alta importante. Essa alta aconteceu principalmente porque no final da semana passada estava marcando uma chuva em algumas regiões da Argentina, e essa chuva não aconteceu. Hoje os mapas climáticos para os próximos 14 dias também são de poucas pluviometrias. Quando você vai ao norte da Argentina lá o desenvolvimento da soja está melhor porque choveu. Quando você vai para Buenos Aires a soja vem sofrendo muito num momento importante.

Agora, a tendência de isso trazer uma oportunidade de negócio aqui no Brasil é grande? Porque os produtores estão vendendo muito pouco, Ênio. Não estão animados com a atual situação.

Ênio Fernandes:  Na sexta-feira já teve um movimento melhor de venda e se a gente lembrar poucos dias atrás nós estávamos com o dólar US$ 3,15 a US$ 3,20. Quando o dólar operou a US$ 3,30 e casou com alta de Chicago, os produtores do centro-oeste começaram a ser mais ativos nas vendas. O que tem influenciado mais a venda é o comportamento do dólar. Eu, na minha opinião, acredito no seguinte: se o dólar continuar forte, preços nos portos perto de R$ 75  a gente vai ter um movimento mais forte de venda das origens. Caso esse preço do porto recue para R$ 73, R$ 72, R$ 70 a gente vai ver as origens distantes da venda. Mais importante, ou tão importante quanto o clima na Argentina é o comportamento do dólar.

Comportamento do dólar, extremamente relevante, mesmo. Aí a gente tem um arcabouço de informações para analisar. O fato de a pesquisa Focus ter mantido a previsão em R$ 3,30, o fato de a inflação dos Estados Unidos subir, as mudanças lá no Banco Central norte-americano, as eleições no Brasil. Ou seja, é muita informação. Na sua visão vai impactar de qual forma o dólar?

Ênio Fernandes: Excelente pergunta, mas eu queria dar uma outra visão se você me permitir. Você citou várias incertezas. É impossível alguém saber para onde o dólar vai e se o Federal Reserve vai subir as taxas de juros ou não. Hoje, até se tem especulação das datas que eles vão subir, mas é muita incerteza. O que que o produtor deve fazer? Ele deve olhar a margem que ele está tendo nos preços atuais. Se o que ele está colhendo e está com pouco vendido, olha se ele tem boas margens agora e começa a aproveitar esse preço porque o dólar subiu e Chicago também subiu. Se ele tentar acertar preço, na minha opinião, com o mundo tão sofisticado como está agora, ele vai perder muito. Se ele acertar a margem, vender com margem, por o dinheiro no bolso, ele vai estar plantando 2019, 2020, 2025 e ele vai continuar no processo.

Com a previsão de chuvas apontada pelo NOAA o que acontecerá com os preços?

O NOAA apresenta mais 14 dias de pouca pluviometria, o que favorece altas na bolsa de Chicago.

É hora de vender ou esperar?

Com Chicago próximo de US$ 10,20/bushel no contrato março/18 e com os atuais prêmios e cotações do dólar, o momento é uma janela de oportunidade de hedge (fixação de preços) para os produtores brasileiros.

Acompanhe a entrevista completa: