Brasil tem a menor taxa Selic da história. Quais as vantagens para o agronegócio?

O Banco Central anunciou a redução de taxa básica de juros em 0,25% nesta quarta-feira e a Selic saiu de 7% para 6,75% ao ano. O BC fez onze cortes seguidos e a Selic agora atingiu o menor patamar desde 1986, quando foi criada. Mesmo com a queda dos juros, especialistas apontam efeitos limitados na redução dos custos de financiamentos agrícolas. De outro lado, a redução da taxa pode estimular novos investimentos no agronegócio.

A taxa Selic é uma taxa de juros de referência, conhecida como a mãe de todas as taxas. Com juros mais baixos, empresários tendem a se animar e desengavetar projetos de olho na retomada da economia brasileira. Por outro lado, instituições financeiras que já sinalizaram que vão reduzir as taxas para os empréstimos bancários ainda são criticadas por especialistas que apontam spreads (diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo para uma pessoa física ou jurídica) ainda muito elevados.

Nos financiamentos do agro, o pré-custeio da safra agrícola, já liberado pelo Banco do Brasil em 2018 está com taxa entre 7,5% e 8,5% , o que significa dizer que os juros superam a Selic. Para quem prefere olhar o lado do copo mais cheio e não vazio, é bom lembrar que no ano passado o pré-custeio tinha juros de 8,5% a 9,5%, ou seja, é uma forma de observada como o ritmo de cortes da Selic gerou um efeito positivo no barateamento do crédito. Podia ser mais? Podia, mas certas mudanças levam tempo.

No comunicado, o Copom disse que para a próxima reunião, “caso o cenário básico evolua conforme esperado”, o comitê vê como mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária. “Essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar a uma flexibilização monetária moderada adicional, caso haja mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos”, afirmam os diretores. Ou seja, há sinais de que os cortes de juros vão parar por aqui, a não ser que a inflação continue a ceder ou que o quadro de reformas estruturais avance.

Na opinião do ex-secretário de política agrícola e comentarista do Canal Rural, Benedito Rosa, os juros do Plano Safra devem cair neste ano. ” Com relação ao Plano Safra acho que os juros para a safra de verão tenderão a ser menores do que o praticado agora”, afirma.

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