Entenda a polêmica sobre o embarque de animais no Porto de Santos

Neste domingo o Tribunal Regional Federal da 3ª Região derrubou a liminar que impedia um navio com 27 mil bois de deixar o Porto de Santos com destino à Turquia. O TRF3 acabou recurso da Advocacia Geral da União. O navio deveria ter seguido viagem na última sexta-feira, mas um juiz federal suspendeu a exportação de gado vivo a pedido da ONG Fórum Nacional de Proteção Animal. A Minerva Foods, empresa responsável pela exportação, foi multada em mais de R$ 1 milhão pela Prefeitura de Santos, depois de órgãos fiscais apontarem que os animais estavam em situação irregular.

Veja a entrevista com o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carga Viva, Ricardo Barbosa, ao Mercado&Cia:

O navio, ele segue essas regras de sanidade e bem-estar?
Ricardo Barbosa: Sim, os navios são muito bem preparados para poder receber os animais e existe toda uma lógica para você entender ou considerar que aquele animal está em bem-estar. Basicamente no barco a temperatura e o ambiente são muito bem controlados, o animal recebe água fresca e comida fresca. Então, eu acho que o principal indexador que daria para gerar uma referência para provar o quanto bem cuidados os animais são é eles ganham peso na viagem.

A gente ouviu há pouco o secretário de meio ambiente de Santos dizendo que foram encontrados dejetos ao redor desses animais. A afirmação procede?

Ricardo Barbosa: Estamos falando de animais e existe um manejo dos dejetos dentro do barco. Eles seguem uma regra e uma lógica e que, inclusive, no momento em que o barco estava parado no porto, estava impedido de seguir esse manejo. Então, a gente falava entre nós, exportadores, que a cada minuto que passava os animais estavam sendo submetidos a condições piores. Então no despacho do juiz federal é muito claro… ele acatou e ele concordou com aquilo que estava acontecendo que é impossível você fazer um manejo de dejetos dentro do barco com o barco parado no porto.

A sanidade é um ponto muito delicado quando a gente fala de pecuária, de exportação nacional. Você está dizendo que ganharam 40% de mercado em 2017, que o país já responde por 15% do mercado mundial, isso é porque a gente tem garantia de sanidade que está atraindo mercados novos?

Ricardo Barborsa: Isso. Coincidência ou não, as ONGs começam atuar, pode-se dizer que eles começaram a atuar num momento de uma virada de chave. Nós que estamos aqui, a gente sabe o quando o Ministério da Agricultura investe nisso e o quanto bem controlado é isso. Agora, o problema é quando você está lá na Europa, quando você está lá no Oriente Médio, a percepção dos países ou dos clientes é um pouco diferente. Então acho que um grande trabalho que tem sido feito pelo Ministério como pelos exportadores é de desmistificar o nosso estado sanitário.

Vocês preveem mais problemas com ONGS que apontam maus tratos animais? O setor está em condições de argumentar contra essas questões?

Ricardo Barbosa: É, a gente tem algumas frentes de trabalhos e uma delas é desmistificar o que está acontecendo aqui perante nossos clientes. Hoje eu recebi ligação da Turquia, ligação do Egito, ligação do Uruguai que são nossos irmãos concorrentes aqui do negócio da exportação e todo mundo querendo saber: então, mas o que é que aconteceu? Então, a gente já tem uma frente de trabalho que é exatamente essa de desmistificar. Nós, exportadores estamos muitos tranquilos que a atividade é regulamentada, as regras são muito claras e o Ministério da Agricultura atua fortemente nos inspecionando. Então, cumprindo todos esses pré-requisitos, a gente acredita que o nosso negócio vai seguir crescendo e a gente acredita num crescimento de 30% para esse ano.

Esses casos que a gente está vendo no Porto de Santos já aconteceram em outros portos do país, que também estão acostumados a fazer o embarque de cargas vivas?

Ricardo Barbosa: Já aconteceram, mas todas as ações muito incipientes, de poucas pessoas. Dá uma sensação verdadeira de que é uma autopromoção, com políticos locais envolvidos, pessoas que não tem argumentações claras. É tudo muito incipiente, e é isso.

Acompanhe a entrevista completa:

Acompanhe o impacto das exportações de carga viva nos preços da pecúaria: