Indústria teme alta do milho e quer rota alternativa de importação

O setor de proteína animal intensificou as conversas com o Governo Federal para tentar viabilizar a importação de milho com custos mais baixos para o sul do Brasil. A ideia é que a partir do próximo mês as primeiras remessas do grão paraguaio já cheguem a Santa Catarina, via Argentina. A chamada “rota internacional do milho” é identificada pelo produtores de aves e suínos como alternativa para garantir o abastecimento do grão com competitividade para a produção.

– O setor de milho no centro-oeste se estruturou para exportar pelos portos do norte e fica difícil para o sul do Brasil competir e trazer esse milho do centro-oeste em vez dele seguir para exportação. Em alguns momentos é preciso ter alternativa frente a esse custo. A alternativa que nós buscamos é conseguir fazer o corredor com os países vizinhos para o sul do Brasil, explica José Antonio Ribas, presidente da Associação Catarinense das Indústrias de Avicultura.

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços mostram que a exportação de milho em janeiro somou 3,02 milhões de toneladas, o que totaliza na temporada iniciada em fevereiro 30,83 milhões de toneladas. Um novo recorde. O Brasil hoje se consolidou como o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial. Mesmo com o crescente volume das exportações, a Associação Brasileira dos Produtores de Milho afirma que há sobra do grão no mercado interno.

– Eu não acredito que pegar milho do Paraguai vai ser mais barato do que trazer milho do Paraná. A indústria não quer fazer contrato antecipado, quer comprar da mão para a boca. Podem pegar milho de Mato Grosso do Sul que tem sobra de 5 a 6 milhões de toneladas, Paraná tem sobra de 8 milhões além do que eles consomem, afirma Glauber Silveira , vice-presidente da Abramilho.

O presidente da Associação de Proteína Animal, Francisco Turra, afirmou que a importação é uma alternativa interessante para o setor. “Da Secretaria de Política Agrícola, nós já recebemos uma palavra tranquilizadora. Faltando, tendo alguma necessidade, a importação não vai ter nenhum problema e nenhuma vedação”, disse.

O temor da indústria é ver um cenário semelhante ao da crise do milho em 2016, quando os preços chegaram a R$ 60 por saca. O analista de mercado, Vlamir Brandalizze, não prevê que a situação se repita.

– Não acredito que esse ano vá quebrar de novo. A crise de 2016 aconteceu porque o Brasil exportou muito e Mato Grosso colheu pouco. Aí o mercado sumiu com os estoques. Agora, esse ano vai ser de mais valorização para o milho. Safra verão valendo mais e milho ‘safrinha’ com diferenças ainda maiores.

O diretor da consutoria Céleres, Anderson Galvão, também prevê cotações mais altas para o grão a partir deste mês.

– O entendimento nosso é que assim que esse mercado segue sustentado em alta no decorrer de fevereiro e março, principalmente se a gente começar a observar alguma instabilidade na área de clima na área de milho inverno no MT, PR e até mesmo GO.

A Associação Catarinense de Avicultura afirma que há pendência de documentação e questões fitosanitárias a serem resolvidas. No entanto, a previsão é que sejam importadas mais de 1 milhão de toneladas do grão a partir de março, quando começa a ser colhida a safra de milho paraguaia.

Veja entrevista completa com o diretor da consultoria Céleres: