Compradores de milho estão pagando mais pelo grão. Saiba por quê

No Sul, cooperativas estão pagando até R$ 5 a mais por saca de milho para reter grão. É o caso da Coopavel, que fica em Cascavel, no Paraná. O estado tem o maior plantel de aves no Brasil e segundo maior de suínos e a preocupação com menor oferta do grão motiva pagamentos mais altos pelo produto. ” A Coopavel está garantindo uma remuneração acima do mercado para quem plantar e for colher em julho de 2018″, explica o presidente da cooperativa, Dilvo Grolli.

A situação que ocorre no sul pode se repetir em outros locais do Brasil, afirma o trader da Lasing Trade Group, Marcos Araújo. Veja a tendência para o mercado na opinião do especialista:

Em Cascavel (PR) chama a atenção ofertas de até R$ 5 a mais por saca para reter o milho no estado. Isso vai ser uma tendência no país?

Marcos Araújo: O que nós temos observado é bem esse efeito mesmo. O Brasil hoje tem em torno de 73% da produção de total de milho dentro no “safrinha” e por consequência é uma lavoura de risco, ou seja, risco de geada no Paraná e Mato Grosso do Sul e escassez de chuva em Goiás e Mato Grosso. Então, isso deixa os consumidores finais, principalmente do sul do Brasil, bem apreensivos e pagando preços melhores do que nós exportadores poderemos pagar pelo preço final.

E isso vai gerar que tipo de efeito de agora em diante no mercado?
Marcos Araújo: Do lado do produtor rural, certamente ele deve estar buscando esses consumidores finais que têm condição de pagar pelo milho do que nós exportadores. Por exemplo, se fizermos a conta da exportação, poderíamos estar pagando pelo milho em Dourados(MS) safrinha em torno de R$ 20. A gente observa esses compradores locais pagando R$23,50 a R$ 24 uma saca de milho. No entanto, se nós observamos uma relação de troca nesse preço do milho dividido pelo kg do frango vivo, dá uma relação de troca em torno de 11,5 kg o que é excelente, garante boas margens para os produtores de carne. E nós exportadores, infelizmente, ficamos concorrendo com outras origens. O milho americano até junho desse ano está em torno de US$ 6 a US$ 4  mais barato que o milho brasileiro nas plataformas.

A gente tem uma memória recente da crise, do desabastecimento que tomou conta do país. O preço do milho chegou a patamares recordes. Há alguma chance de ver um cenário parecido com este em 2018?

Marcos Araújo:Em 2016 nós tivemos os picos de preços do milho no Brasil no final de maio de 2016, o pior momento de escassez chegou no mês de fevereiro daquele ano. Esse ano, de fevereiro até maio, vamos estar muito dependente do milho verão, que concentra no sul e sudeste do Brasil. Neste período nós vamos chegar a ter meses com estoque de apenas estoque para 32 dias de milho no Brasil. Então nós vamos ter algum aperto até maio e depois disso um alívio com a entrada do milho safrinha de 2018.

Assista a entrevista completa no Mercado&Cia: