Exclusivo: Alckmin anuncia veto à lei da “segunda-feira sem carne”

Em entrevista exclusiva ao Mercado&Cia, o governador de São Paulo adiantou que vai vetar o projeto de lei que criava a “segunda-feira sem carne”. Além disso, Geraldo Alckmin, que é pré-candidato pelo PSDB à presidência da República, afirmou que Lula e Bolsonaro não têm chance nas eleições 2018. Veja o vídeo com a entrevista completa:

O polêmico projeto de lei das segundas-feiras sem carne vai ser vetado ou sancionado?
Vamos vetar o projeto de lei, embora tenha havido boa intenção dos propositores do projeto, ele é equivocado. Ele cerceia o direito das pessoas, subestimando a capacidade de decisão das pessoas. Aliás, um modismo que a gente vê hoje em muitos lugares, inclusive no Brasil, um excesso de intervenção do Estado. (…) E depois, isso pode ter um efeito contrário, pois pode haver a troca de proteína por carboidrato e isso pode elevar a obesidade.

– Setores do agronegócio comemoram sua decisão de veto à lei da segunda-feira sem carne. Na contramão, os ativistas ligados ao vegetarianismo e à proteção animal tem bastante força nas redes sociais. Como pré-candidato do PSDB à presidência da República, teme que isso possa trazer prejuízos ao senhor?
As decisões devem ser tomadas por serem corretas, ou não. E não visando questões eleitorais. Nada impede que as pessoas troquem a proteína animal pela vegetal, mas o que não deve é proibir por lei e interferir na alimentação das pessoas. Eu respeito muito quem quer ser vegetariano, acho até que é importante. Nós já temos na rede estadual muitas escolas que segunda-feira não tem carne e tem cardápio alternativo, mas você proibir não me parece adequado, um precedente complicado.

– Eleições 2018: Como avalia a declaração do FHC sobre uma substituição de sua candidatura pelo PSDB no caso de um outro nome conseguir capitanear os votos do centro?

Em relação às eleições, o PSDB vai definir seu candidato daqui alguns meses. Eu estou preparado para essa labuta, política é esperança. O Brasil não pode achar normal ter 3 anos e meio de recessão, com a força que tem. Mas precisa ter responsabilidade fiscal, eficiência, agenda correta. Ou seja, a despeito da declaração de FHC o senhor reitera que está preparado para o cargo? Aliás eu fui eleito presidente do PSDB a pedido do Fernando Henrique. Ninguém vai dizer em janeiro que já abre mão de ser candidato, mas acho que temos boas possibilidades do centro ter aquilo que interessa que é emprego, renda.

– Como você avalia a polarização entre Lula e Bolsonaro nas eleições 2018?
Acho que nenhum dos dois tem chance.Na realidade esses extremos são um olhar para trás, é o que se chama de recall. Os argumentos da eleição vão ser colocados ao longo das eleições. É um olhar para o passado e acho que vamos ter um resultado bem diferente. Se olharmos as últimos eleições o resultado foi bem no finalzinho. A população ouve, analisa, compara para depois decidir.

Assista a entrevista completa:

– Com o seu veto à lei da segunda-feira sem carne, muitos dizem que você é um candidato alinhado ao agronegócio. Será alinhado ao agronegócio? Qual sua principal bandeira?
Eu sou candidato para defender emprego e renda. O desenvolvimento é o novo nome da paz, não há paz verdadeira sem emprego e renda para as pessoas. O agronegócio é a alavanca para tudo isso. Ele é o setor mais importante, quando o agronegócio vai bem crescem os serviços e aumenta a demanda da indústria. Nós temos que fortalecer os três setores, o agronegócio, já que o Brasil tem a agricultura mais competitiva dos trópicos, o setor da indústria que agrega valor, já que fabricamos de sapatos até aviões, e o de serviços, que é o maior empregador.

Se tiver que votar de novo em favor do agro, o senhor não vai hesitar?
É claro, até pela minha origem meu pai era médico veterinário e até os 16 anos só morei na zona rural.

Sobre a reforma da previdência, você é a favor e em quais condições?
Sou favorável à reforma da previdência com regime geral de previdência social, uma só previdência para o setor público e privado.

Você foi uma das pessoas que capitaneou a entrada de leite do Uruguai?
Não, essa é uma decisão Federal. Acho que temos que fortalecer a produção local. Nós compramos 8% da produção de leite de SP para distribuir.

Você tem algum plano para assistência técnica no campo?
Nós temos uma rede da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) de bons engenheiros agrônomos como temos uma excelente pesquisa. Temos um programa chamado Microbaciais para agregar valor ao produtor rural. O problema do pequeno produtor é falta de renda. Esse é um trabalho com financiamento do BID e executado pela CATI.