Estudo inédito revela o Top 10 dos maiores salários do agronegócio brasileiro

Em 2017 houve uma ligeira melhora no mercado de trabalho brasileiro, que voltou a contratar mais. No agronegócio, não foi diferente e a safra recorde ajudou a impulsionar a demanda por mão de obra e a aumentar a média dos salários no setor. Dentro da porteira, o rendimento se aproximou ao de outros setores: só no último trimestre cresceu três vezes mais do que no restante da economia.

Esses dados são sinais claros de uma mudança importante e estrutural em curso no campo brasileiro. Ao melhorar a produtividade e a remuneração dos seus profissionais, o setor tem gerado renda, ampliado a demanda por serviços, criado um número maior de postos de trabalho e dinamizado a economia do interior do Brasil.

O Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (GV Agro) realizou uma pesquisa para entender onde estão os maiores rendimentos médios nas atividades agropecuárias no Brasil. Este blog teve acesso com exclusividade aos dados e revela que a soja lidera o ranking, seguida da produção de sementes e mudas. e outras atividades agropecuárias.

No Top 10 do ranking divulgado pela pesquisa, a cultura da soja paga hoje os melhores rendimentos (R$ 2.560,02, em média), seguida da produção de sementes e mudas (R$ 2.355,13), de outras atividades agropecuárias (R$ 2.190,77), do cultivo de trigo e outros cereais (R$ 2.162,96) e da produção de uva (R$ 1.807,44). A pesquisa avalia o rendimento médio, que é a remuneração mensal da população ocupada no setor (de forma menos precisa, podemos chamar de “salários”, porém, não apenas do empregado, mas também do empregador, do autônomo e do trabalhador informal).

Segunda Felippe Serigati, economista do GV Agro, uma das explicações para os melhores salários estarem no setor da soja tem a ver com nível de tecnologia empregada no segmento. “A receita gerada na soja é maior porque a mecanização ajudou a aumentar a produtividade. Outra questão, como a ligada ao trigo, é porque essas culturas estão mais concentradas em regiões como o sul e sudeste, onde a faixa de
salários também é maior do que em outras partes do país”, comenta Serigati.

Outro dado importante da pesquisa mostra que o setor está melhorando os salários pagos, mas também está contratando menos mão de obra. Em 2013, o setor gerou postos de trabalho (formais e informais) para mais de 10,5 milhões de pessoas; ao final do 3º trimestre de 2017, o número estava em pouco mais de 8 milhões. Ou seja, há menos gente trabalhando no campo, mas com maior qualificação e remuneração média.

Basta viajar pelo interior Brasil para ver que esta é uma tendência daqui para frente. As cidades que tem tração na agropecuária abrem mais hotéis, mais restaurantes e mais escolas. Ou seja, a mão de obra que já não cabe nas lavouras não fica desempregada, mas é atraída por outros setores, notadamente o de serviços. No campo, tendem a permanecer os profissionais que se qualificaram, o que aumenta também a média da remuneração salarial.

Veja a entrevista no Mercado & Cia: