Com o La Niña por aí, como fica a situação da soja?

A ocorrência do La Niña na safra 2017/2018 não é consenso entre os meteorologistas, tampouco seria possível já avaliar os impactos dele nos preços da safra de soja. O ponto é que centros especializados em clima começaram a afirmar que a atmosfera já responde ao resfriamento do oceano Pacífico, o que significa a presença do fenômeno só que com fraca intensidade. Se tiver La Niña mesmo, o preço melhora? Historicamente, os preços são mais altos de acordo com analistas de mercado. A questão agora é entender a extensão do La Niña neste ano e os prováveis impactos no mercado.

– O fenômeno La Niña fraco já influencia a atmosfera e vai continuar assim até pelo menos a metade do verão, de acordo com a Somar Meteorologia. Veja mais: Já estamos em La Niña clássico, diz meteorologia dos EUA

Quando o fenômeno La Niña é configurado a tendência é de tempo seco no sul do Brasil e chuvas em abundância no centro-norte do país. Para o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, não serão essas condições presentes na safra 17/18.

– Vai ter clima dentro da normalidade tanto para o sul quanto para o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a única diferença do ano passado vai ser a variabilidade maior das frentes frias (mais chuvas). Dependendo da fase que a planta tiver pode levar a um comprometimento das lavouras, nada tão significativo a ponto de ter quebra na soja e mexer com os mercados, explica.

Os mercados, inclusive, estão agora reagindo ao tempo bom e não demonstram preocupações com perdas climáticas por conta do La Niña. Segundo o diretor de commodities agrícolas da FCStone, Glauco Monte, a queda superior a 1% para os contratos de soja negociados na bolsa de Chicago nesta segunda-feira está relacionada ao bom andamento da safra.

– O clima atual para a safra brasileira não tem problema, ele estabilizou e está tendo chuva. Por enquanto não dá para se falar que tenha algum impacto efetivo no clima no curto prazo, mesmo com a configuração do La Niña, explica.

Tradicionalmente, anos em que há configuração do fenômeno La Niña as safras registram perdas de produtividade. Veja o exemplo da Argentina, na tabela abaixo. As condições do país vizinho são muito semelhantes as do Rio Grande do Sul e quando da ocorrência do fenômeno o percentual colhido ficou abaixo do previsto.

– Se a gente avaliar os melhores momentos de preços da história, eles coincidiram com momentos de problemas mais graves com La Niña ou El Niño. Certamente a média das cotações é um pouco acima do que em anos que tem os fenômenos. Se coincidir de ano que vem ter um La Niña, certamente o produtor vai ter uma cotação maior para soja e para o milho também, explica o analista de mercado, Vlamir Brandalizze.

Veja mais detalhes sobre a previsão de La Niña:

  • José Santos Santos

    Gostaria de saber como fica o tempo em Fátima na no mês de dezembro e janeiro