Agroconsult: Preço nominal da arroba do boi gordo deve cair em 2017

Maurício Nogueira em entrevista ao Giro do Boi: queda do consumo e aumento da oferta de animais para abate deve provocar queda nos valores nominais da arroba em 2017.

Maurício Nogueira em entrevista ao Giro do Boi: queda do consumo e oferta de animais para abate superior à demanda deve provocar queda nos valores nominais da arroba em 2017.

 

Nesta quinta, 02, o Giro do Boi recebeu em seu estúdio o engenheiro agrônomo e diretor da Agroconsult, Maurício Palma Nogueira. Em entrevista ao apresentador Mauro Sérgio Ortega, Nogueira projetou o cenário para o preço da arroba em 2017, que sofrerá, segundo o consultor, queda no valor nominal.

 

Na análise do agrônomo, a diminuição da oferta de animais para abate observada nos últimos anos não foi suficiente para sustentar os preços da arroba no ano passado pois, do outro lado da balança, a crise econômica interna diminuiu o poder de compra do consumidor, afetando a demanda. Para 2017, Nogueira pondera que o consumo interno, medido pela disponibilidade interna de carne, poderia aumentar, mas seria estimulado pela atratividade nos preços da carne bovina. “O dia a dia e as projeções precisarão ser acompanhados com muita cautela ao longo do ano”, acrescentou.

 

Leia, abaixo, as principais declarações proferidas durante a entrevista:

 

PREÇO DO BOI GORDO EM 2017
“Nós estamos vivendo um momento bem difícil mesmo em relação à projeção para 2017, mas tem alternativa. E a alternativa sempre é o produtor ter uma consistência em relação ao projeto pecuário que ele tem. E trabalhar com o cenário mais provável para 2017, que é de queda de preço nominal. […] Provavelmente o cenário é esse: queda nominal dos preços médios do ano em relação a 2016”.

 

OFERTA X DEMANDA
“Mesmo que a gente considere uma recuperação da economia e um provável aumento na demanda por carne bovina, esse aumento não é suficiente para compensar todo o aumento de oferta. Mesmo em cenário de economia se recuperando, a oferta vai ser maior”.

 

“O abate foi muito apertado no ano passado, tinha pouco boi. Mas o consumo também não se ajustou. A gente tinha expectativa de exportação para o ano que não se confirmou, então o preço que era projetado para aumentar no segundo semestre, até um preço bom e que foi sinalizado na BM&F, acabou não se confirmando”.

 

“Geralmente no Brasil a gente tem o hábito de errar. Toda análise de mercado é focada na oferta. O pessoal fala: não tem boi no pasto, então o preço vai subir. Se não tiver consumo de carne, isso não acontece”.

 

“Que existe um aumento de animais a serem abatidos neste ano, existe. A dificuldade é quantificar, inclusive qual categoria tem. Quanto disso é vaca, quanto é boi erado que vai passar, quanto disso é boi que vai chegar mais cedo, que vai ajustar, porque nós atrasamos o boi de 2016 para 2017 e essa é a leitura da Lygia (Pimentel)”.*

 

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GESTÃO
“O que é interessante deste fato todo? O mercado (em 2016) foi enfraquecendo mês a mês, deu tempo para o produtor tomar uma decisão, para se antecipar. Foi um mercado fácil de trabalhar ao longo do ano”.

 

QUALIDADE
“Nós estamos vivendo uma mudança no mercado bem interessante. Por que o preço não subiu no segundo semestre? Porque não vendeu bem. A indústria está deixando isso às claras. Os maiores frigoríficos a toda hora estão se posicionando: se eu não tiver mercado de carne, eu não posso abater um boi. E o que aconteceu: a indústria está muito mais focada nas vendas antes de decidir a compra e isto está certo. Só que essa mudança de postura, claro, causa um desconforto. Mas é este tipo de mudança de postura que vai fazer com que a gente comece a trabalhar com mais foco, mais vontade em melhorar a qualidade da carne que a gente oferece”.

 

“O que o mercado vai fazer naturalmente? Vai começar a selecionar, vai começar a dar condições melhores para o boi melhor, a carne melhor e, claro, para o bezerro melhor que vai virar esse boi”.

 

“A gente tem esse mercado pronto no Brasil. Não adianta falar que a pecuária toda vai ser esse mercado. A nossa carne é mais ingrediente e culinária. Nem por isso eu posso entregar um animal de má qualidade”.

 

ENTREVISTA COMPLETA
Confira, no link abaixo, a entrevista na íntegra de Maurício Nogueira ao Giro do Boi.

 

+ Entrevista de Maurício Nogueira ao Giro do Boi – 02/02/2017

 

*Nota atualizada às 14h30: leia artigo da médica veterinária e analista de mercado Lygia Pimentel, publicado na última terça, 31, em que Pimentel estima que há um excedente de 7,3 milhões de cabeças de gado no rebanho brasileiro por conta de retração nos abates entre os anos de 2013 e 2016.

 

 

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