Eu tenho uma boa e uma má notícia para a nossa pecuária. Qual você quer primeiro?

 

O leitor certamente já participou desta brincadeira. Eu mesmo sempre escolhia a notícia ruim primeiro, pois costumo guardar o melhor para o final. Por isso vou construir o artigo abaixo nesta mesma sequência. Vamos ver.

 

Nesta segunda (30), a Abras, Associação Brasileira de Supermercados, realizou entrevista coletiva em sua sede na capital São Paulo para divulgar o balanço do desempenho do setor varejista em 2016. E em plena crise econômica, que por dois anos seguidos produziu quedas de mais de 3% no PIB brasileiro, o setor acumulou alta de 1,58% de vendas em todo o país ao longo do ano passado, um índice já deflacionado pelo IPCA/IBGE.

 

O avanço fica mesmo significativo quando vemos a apuração do Abrasmercado final de 2016. Vamos abrir um parêntese: o Abrasmercado é um índice que acompanha a variação de preço dos 35 itens mais vendidos nos supermercados do país. Ou seja, uma espécie de inflação que é mensurada pela empresa de pesquisa GfK e analisada no departamento de economia da Abras. Pois bem, em 2016, houve aumento acumulado de 10,03%. Uma diminuição e tanto do poder de compra do consumidor.

 

 

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Abrasmercado 2016: 35 itens mais comercializados pelos supermercados se valorizaram 10,03% em média ao longo do ano.

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Vendas dos supermercados aumentaram 1,58% em 2016.

Fonte: Divulgação / Abras

 

ADAPTAÇÃO

Para driblar essa queda real do valor do dinheiro, o consumidor teve que se ajustar. Uma das mudanças foi parar de comer fora de casa, o que foi constatado em um estudo apresentado ainda em maio de 2016 como tendência pela Apas, a Associação Paulista dos Supermercados.

 

Como de costume, a Apas lança sua pesquisa anual de tendências do consumidor pouco antes da realização da Feira Apas. O relatório é feito em parceria com o Instituto Nielsen e a Kantar Worldpanel. Neste documento, ficou constatado que “para driblar o cenário de pressão no bolso, os consumidores buscam opções que se enquadrem em sua nova realidade” e que 61% dos consumidores diminuiriam gastos com entretenimento fora do lar buscando economizar. Veja abaixo:

 

 

Tendências do consumidor 2016: clique para ampliar

Tendências do consumidor 2016: para driblar o cenário de pressão no bolso, consumidores buscam opções que se enquadrem em sua nova realidade. Clique na imagem para ampliar.

Fonte: Apas 2016 – Perspectivas e Oportunidades.

 

Vamos resumir, então, o cenário até aqui: (i) diminuição do poder de compra do consumidor, que por sua vez (ii) deixa alguns hábitos mais caros de lado, como fazer refeições fora de casa. Este é um dos motivos que pode ajudar a entender o (iii) crescimento real de vendas dos supermercados em 2016 na ordem de 1,58%.

 

E onde está a boa noticia para a pecuária de corte? Ora, tudo é uma oportunidade. Se o consumidor deixa de pedir uma boa porção de contrafilé nos restaurantes, por exemplo, e busca alternativas para alimentação dentro de casa, é possível aproximá-lo de marcas disponíveis nas gôndolas dos supermercados que o fidelizem e que consigam capturar maior valor do que a simples commodity, um trabalho em pleno avanço no Brasil, como demonstrado nesta entrevista do diretor comercial da JBS ao Giro do Boi, Alexandre Jaeger.

 

Na conversa com Mauro Sérgio Ortega, Jaeger ressalta que o programa de fidelização de varejistas Açougue Nota 10, que  prepara o ambiente de vendas de marcas de valor agregado exclusivas para as lojas integrantes, cresceu 28% no ano passado.

“O consumidor está cada vez mais exigente em relação à qualidade. Tem todos estes movimentos que a JBS vem fazendo, como a Academia da Carne, trazendo mais luz sobre o que é qualidade da carne, então hoje o consumidor tem um nível de exigência maior”, declarou Jaeger em entrevista no último dia 12 ao Giro do Boi, apontando uma das razões para o crescimento do programa.

Eis a boa notícia para a pecuária brasileira. Este é um movimento que pode ajudar a amenizar a significativa retração do consumo da proteína vermelha no ano passado.

 

 

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