Asbia quer aumentar em até 4 milhões o número de matrizes inseminadas artificialmente até 2020

Já trouxe aqui neste blog um pequeno trecho da entrevista exclusiva de Sérgio Saud, presidente da Asbia, ao Giro do Boi no último dia 9. Mas restou ainda uma parte de suma importância a repercutir, que é a meta que a Associação Brasileira de Inseminação Artificial impôs a si mesma, às indústrias de genética bovina e aos criadores brasileiros para o próximo triênio: inserir mais três a quatro milhões de matrizes do nosso rebanho em programas de inseminação artificial.

 

Cumprir tal objetivo significaria saltar da inseminação de 12% das fêmeas do País para 16%, segundo cálculo da própria Asbia. “Não é muito. Esses quatro milhões de matrizes vão adicionar, na pior das hipóteses, dois milhões de bezerros de alta qualidade genética. Isso nós temos que olhar: quanto isso vai agregar na cadeia em produção de carne de qualidade, receita ao produtor”, indaga Saud.

 

O cenário para tal crescimento já esteve mais adverso. Nos anos de 2015 e 2016, com ambos apagando as luzes de suas atividades econômicas com quedas de 3,8% e projeção de retração de mais de 3% do PIB do Brasil, respectivamente, as vendas efetivas de sêmen apresentaram algum crescimento ou, na pior das hipóteses, estabilidade. E já para 2017, a previsão é de recuperação, com leve alta de 0,6% no PIB, o que deve colaborar para a economia brasileira sair da UTI e, consequentemente, tornar mais favorável o ambiente para investimentos, inclusive no melhoramento animal.

 

DEPOIS DA TEMPESTADE…
Na última terça, dia 17, o Giro do Boi levou ao ar nova entrevista sobre o tema. O presidente do Grupo Semex Brasil, Nelson Ziehlsdorff, esteve no estúdio do Canal Rural e demonstrou que está confiante no desafio de disseminar programas de IA para até 16% das matrizes do rebanho nacional.

 

O grupo presidido por Ziehlsdorff, que representa no Brasil a Semex Alliance, cresceu 8,5% em vendas de sêmen em 2016, em plena retração de mercado. Para 2017, segundo o próprio executivo, a empresa trabalha para alcançar os 12% de crescimento na comercialização.

 

“Quando nós fizemos o planejamento em 2015 para 2016, nós nunca imaginávamos uma turbulência tão grande quanto nós vivemos: impeachment, mudança de governo, corrupção, uma economia totalmente atrapalhada e uma instabilidade, uma insegurança muito grande. Quem tinha dinheiro, não queria investir, queria saber o que ia acontecer. E 2017 nós já enxergamos um cenário diferente. O preço dos insumos, como milho e soja, começando a se estabilizar positivamente, principalmente para quem confina”, projetou Nelson.

 

PORTEIRAS ABERTAS
Para atingir tais metas, tanto as indústrias de genética bovina como a própria Asbia e o criador brasileiro terão que usar como guia uma frase muito pertinente proferida pelo empresário ao final de sua participação. “Nós não podemos viver em cima de expectativas. Nós temos que trabalhar em cima de planejamento e ação”, resumiu Ziehlsdorff.

 

Torçamos pra que a nossa pecuária cumpra tal propósito. Como bem lembrou Saud em sua entrevista ao Giro do Boi no início deste ano, a importância da genética é que quando ela entra na fazenda, deixa a porteira aberta para o uso de outras tecnologias, por conseguinte permitindo que a propriedade tire o máximo proveito em termos de produtividade. Que assim seja!

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