Pecuária, gestão e contextualização: como encarar a produção de gado de corte em 2017?

Talvez seja porque minha formação profissional é o jornalismo, ou porque isso facilite a compreensão do cotidiano, mas tendo a interpretar a sequência dos acontecimentos da vida, quaisquer que sejam, como uma grande contextualização. E parece que há, sim, certa sequência lógica nos assuntos que, a princípio, passam pela nossa linha do tempo aleatoriamente. Um exemplo: os assuntos do Giro do Boi no início desta semana.

 

Claro, a nossa equipe se dedica a ordenar os conteúdos sempre em sintonia uns com os outros, mas alguns detalhes que até parecem combinados não são. Quer ver só? Na última segunda-feira, dia 09, levamos ao ar uma entrevista com o novo presidente da Asbia, a Associação Brasileira de Inseminação Artificial, Sérgio Saud, eleito para comandar a entidade em outubro do ano passado. Logo na abertura de sua conversa com Mauro Sérgio Ortega, apresentador e editor-chefe do programa, Saud destacou a principal lição que 2016 deixou para a pecuária. “Lições aprendidas do ano passado: tem que manter olhos abertos na questão de custo, administrar bem”.

 

O presidente da Asbia citou como exemplo da relevância do controle de gastos o discurso e ações da maioria dos prefeitos eleitos que tomaram posse neste início de 2017. Com o país em recessão econômica, o jeito é focar na redução das despesas. Mas quanto o gasto impacta no resultado financeiro de uma fazenda de gado de corte?

 

A resposta viria no dia seguinte, na terça, 10, com a palestra em forma de entrevista concedida por Antônio Chaker, coordenador do Inttegra, o Instituto Terra de Métricas Agropecuárias. Já há alguns anos, a Terra Desenvolvimento, consultoria pela qual atuava Chaker, divulga um relatório anual os principais indicadores zootécnicos e financeiros das fazendas atendidas para que sirva de orientação e desafio para demais propriedades que buscam referências. Com a criação do Inttegra, Chaker passou a atuar em parceria com a Terra Desenvolvimento e aprofundou o relatório, que agora passa por análise de profissionais de estatística.

 

Para resumo de conversa, Chaker revelou que a interpretação destes profissionais apontou que cada real de economia com administração pode resultar em R$ 20,00 a mais de renda por hectare ao ano. ATENÇÃO: o pecuarista não deve necessariamente pagar menos para seus colaboradores, mas pagar melhor funcionários mais bem capacitados, possibilitando redução de equipe, ou focar na redução do gasto com impostos, por exemplo. Chaker também fez outras comparações similares. Cada real a mais no valor de venda da arroba acarreta em R$ 7,2 a mais de renda por hectare ao ano, quase três vezes menos que a gestão dos custos.

 

 

O sucesso deixa rastros: cada R$ 1,00 de economia com administração resulta em R$ 20 de renda por hectare ao ano. Fonte: Terra Desenvolvimento e Inttegra.

O sucesso deixa rastros: cada R$ 1,00 de economia com administração resulta em R$ 20 de renda por hectare ao ano. Fonte: Terra Desenvolvimento e Inttegra.

 

 

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Valor de venda da arroba: cada R$ 1,00 a mais traz R$ 7,20 de retorno por hectare ao ano, cerca de três vezes menos do que a gestão dos custos.

 

Mas o que mais impressionou foi o impacto que 100 gramas a mais de ganho de peso médio diário nos animais imprime no resultado final: R$ 233 a mais de renda por hectare ao ano. “É importantíssimo que o pecuarista tenha meta para o ponderal dos animais. As fazendas de recria/engorda devem sempre trabalhar com projetos para ganho ponderal acima de 600 g”, recomendou o consultor. “Você pode ter uma boa frequência de salgação porque você já comprou o (sal) mineral. Você pode ter manejo (de pasto) na altura certa porque isso é conhecimento técnico. Então são coisas que não custam dinheiro, são de conhecimento técnico, que impactam em 100 g que, por sua vez, aumentam o lucro da propriedade”, disse Chaker no encerramento da conversa com Mauro Sérgio Ortega.

 

 

GMD: a importância do ganho de peso médio diário mostrada na imagem. 100g a mais por dia trazem R$ 233 a mais de receita por hectare no fim do ano.

GMD: a importância do ganho de peso médio diário mostrada na imagem. 100g a mais por dia trazem R$ 233 a mais de receita por hectare no fim do ano.

 

 

Você pode acessar abaixo os conteúdos veiculados pelo Giro do Boi na íntegra e fazer seu próprio exercício de contextualização. Assista aos vídeos das entrevistas com Sérgio Saud e Antônio Chaker e faça o download da apresentação do Inttegra contendo indicadores das 184 fazendas de pecuária de corte espalhadas por todo o Brasil e também parte do Paraguai.

 

+ Antônio Chaker, coordenador do Inttegra: entrevista ao Giro do Boi 10/01/2017

 

+ Download apresentação benchmark Inttegra: o sucesso deixa rastros

 

+ Sérgio Saud, presidente da Asbia: entrevista ao Giro do Boi 09/01/2017

 

 

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