A população de plantas influencia o crescimento de raízes em soja

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

O ajuste da população de plantas em uma lavoura de soja é importante para obter-se altas produtividades, com menor custo possível. A população altera a competição entre as plantas por água, luz e nutrientes, influenciando a velocidade de fechamento do dossel, a produção de fitomassa aérea, a arquitetura das plantas, a severidade das doenças, o acamamento e os componentes de rendimento, podendo afetar a produtividade de grãos. Os efeitos da população sobre a arquitetura da parte aérea das plantas de soja já estão bem elucidados. Contudo, os impactos da população sobre o sistema radicular da cultura ainda são pouco conhecidos.

Foto: RRRufino

Trabalhos de pesquisa realizados nos últimos anos indicam que o acúmulo de massa seca pelas raízes e a arquitetura do sistema radicular da soja são muito influenciados pela quantidade de plantas por área. Em altas populações – acima de 300 mil plantas por hectare – há formação de raízes pivotantes e laterais com baixa espessura e, em geral, com crescimento vertical mais pronunciado das raízes laterais, ou seja, com menor ângulo entre estas e a raiz pivotante. Possivelmente esse padrão de crescimento ocorra em função da elevada competição entre as plantas na área, reduzindo a disponibilidade de recursos para cada indivíduo, o que limita a produção de fotoassimilados por planta e, consequentemente, a quantidade de reservas para produzir raízes espessas. Salienta-se que populações de soja extremamente altas – acima de 500 mil plantas por hectare – tentem a aumentar a competição em demasia, provocando a formação de sistema radicular débil, com baixa capacidade de ancoragem e de absorção de água e nutrientes.

Por outro lado, com baixa população de plantas – inferior a 150 mil por hectare – há tendência de formação de raízes pivotantes e laterais mais robustas, com crescimento menos vertical, ou seja, com maior ângulo entre as raízes laterais e a pivotante, já que a competição por água e nutrientes na camada mais superficial do solo é baixa. Nessa situação, é comum a concentração de raízes laterais na camada de 0-10 cm, onde há maior concentração de nutrientes em solos manejados em Sistema Plantio Direto. O crescimento superficial de raízes pode agravar problemas de déficit hídrico na fase de enchimento de grãos, sobretudo quando há formação de elevada área foliar, o que aumenta o consumo de água via transpiração. No entanto, sabe-se que esse padrão de crescimento de raízes em baixas populações é variável entre cultivares e condições ambientais.

Nesse contexto, o uso de populações indicadas pelos obtentores das cultivares é importante, não só para maximizar a produtividade de grãos e reduzir riscos como, também, para obter sistema radicular com adequado crescimento no perfil do solo.