É sempre importante avaliar o quanto se perde na colheita da soja

José Miguel Silveira, pesquisador da Embrapa Soja

Com a safra de soja chegando ao seu final, em meio a períodos de falta e excesso de umidade nas lavouras, inicia-se a época em que temos que recolher o produto, o que torna a colheita uma atividade tão importante como foram todas as demais realizadas durante a condução da cultura.

Tecnologia ajuda no processo de colheita de soja – Foto: RRRufino

Colhedoras reguladas e soja em ponto de colheita, o trabalho intenso e concentrado só terminará quando as plantadoras instalarem o cultivo em sucessão, seja ele milho, trigo ou outra espécie que venha a contribuir para que o sistema de produção estabelecido proporcione sustentabilidade no médio e longo prazo.

Durante a colheita da soja, é de suma importância que o operador da colhedora e/ou o técnico que acompanha o trabalho façam o monitoramento das perdas de grãos e que estas quantidades possam sempre situar-se abaixo de 60 kg por hectare, nível de tolerância estabelecido pela pesquisa e amplamente divulgado pela tecnologia do Copo Medidor da Embrapa. No site www.embrapa.br/soja encontramos o catálogo intitulado “Determinação de perdas na colheita de soja: copo medidor da Embrapa”, que contém orientações básicas sobre a metodologia de aferição de perdas, bem como breves relatos sobre os sete sistemas componentes de uma colhedora, com descrição, problemas, causas e soluções.

Ao coletar os grãos não recolhidos pela colhedora em uma área amostral de 2,0 metros quadrados, seja utilizando uma armação padrão de 0,5 metros de comprimento por 4,0 metros de largura ou elaborada em função da largura da plataforma de corte/alimentação que o produtor possui, conforme orientado no referido catálogo, e depositando os grãos no Copo Medidor da Embrapa, tem-se uma leitura direta da perda aceitável ou do desperdício indesejado. A primeira refere-se ao nível de tolerância estabelecido no Copo Medidor e que é de um (1) saco de 60 kg por hectare; valores observados acima deste nível referencial de perda indicam desperdício, ou seja, podem ser evitados por ajustes e/ou regulagens nos sistemas do equipamento colhedor.

Assim, na prática, a sistemática é simples: coletou a amostra e ela resultou numa indicação de perda igual ou menor que 1,0 saco de 60 kg por hectare, prossegue-se com a colheita; joga-se esta amostra fora e parte para a realização de uma outra coleta. A combinação de variáveis que o operador ou o técnico pode fazer para quantificar as perdas de grãos na colheita de soja é grande, ou seja, poderá conduzir um monitoramento por gleba ou talhão, por colhedora, por variedade de soja, por operador etc.
Por outro lado, se o nível de leitura no Copo Medidor da Embrapa apresentar valor superior a 1,0 saco de 60 kg por hectare deve-se buscar a (s) causa (s) deste desperdício, a começar por checar se a velocidade de deslocamento da colhedora está acima dos padrões recomendados para aquela condição de lavoura. Em geral, quando mantemos a velocidade de trabalho entre 4,0 e 6,5 km por hora, ressalvando-se, como dito antes, as condições do cultivo em relação a plantas daninhas, acamamento, teor de umidade dos grãos e outras variáveis que influenciam no desempenho da máquina, as perdas se mantêm em patamares mínimos e aceitáveis.

A tecnologia do Copo Medidor da Embrapa é bastante conhecida pelos produtores rurais e técnicos ligados à cadeia produtiva da soja por ser de uso prático, rápido e eficiente durante o processo de colheita da soja.

No Paraná, graças às parcerias da Embrapa Soja com a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural – o Instituto EMATER e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, esta tecnologia vem sendo aplicada com sucesso, desde o ano de 1982 quando foi lançado o primeiro modelo de copo medidor que, então, avaliava as perdas de grãos nos cultivos de soja e de trigo. Com distintas atribuições para cada parceiro, a Embrapa se responsabiliza pela confecção do copo medidor de perdas, enquanto que o Instituto EMATER realiza campanhas e concursos de redução das perdas de grãos na colheita de soja com os operadores das colhedoras; por sua vez, o SENAR disponibiliza regularmente em todo o Brasil, treinamentos para operadores e técnicos, cujo conteúdo abrange a manutenção e a operação de colhedoras.