Turismo rural, uma opção de renda

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

Para quem tem mais de 60 anos e conheceu o Brasil dos anos 50, certamente está impressionado com as profundas mudanças positivas no cenário agrícola do país, durante este último meio século. Nos anos 50 e 60, o maior contingente de brasileiros vivia no campo e considerava viver na cidade um sonho distante, dadas as poucas opções de trabalho disponibilizadas pelas regiões urbanas.

A partir da década de 1970, no entanto, iniciou-se no Brasil um intenso processo de industrialização, gerando demanda por mão de obra não disponível nas cidades, para o que muitos agricultores foram atraídos para esses empregos. Por sua vez, esse fluxo de cidadãos vindos do campo para a cidade gerou demanda por moradias, promovendo mais empregos urbanos, na construção civil.

As cidades cresceram e com elas os problemas de segurança, fazendo com que muitos ex-agricultores sintam saudades da vida tranquila que levavam no campo, fazendo-os lastimar a impossibilidade de retornar, tendo em vista a venda da propriedade e os novos compromissos de trabalho assumidos na cidade onde agora moram. No entanto, o que ainda é possível eles fazerem para desfrutar a vida nostálgica do campo, seria desfrutar curtos períodos de tempo no interior, hospedando-se em propriedades rurais transformadas em pousadas ou hotéis fazenda; incluindo a que já foi sua.

Fazenda Santa Maria do Monjolinho, no município de São Carlos, SP. Foto: André Furtado

Esses espaços, denominados de turismo rural, estão cada vez mais demandados por cidadãos urbanos em busca da paz e da tranquilidade encontrados no canto de um pássaro, no farfalhar das folhas de uma árvore, no arrulhar de um córrego ou no som do silêncio da mata. O cidadão global moderno, diferentemente dos antepassados, está cada vez mais investindo em lazer, transformando o turismo numa das maiores fontes globais de riqueza – cerca de 10% do PIB mundial, está vinculado ao turismo.
Até a década de 1970 eram raras as famílias que viajavam a lazer. Fazer turismo era privilégio para poucos. A grande maioria das famílias da classe média para pobre, tinha muitos filhos e dedicava a maior parte do seu tempo e dos recursos auferidos pelo trabalho, na criação dessa numerosa prole. Hoje não é mais assim. As famílias modernas privilegiam o conforto, optando por ter menos filhos e gastando mais dinheiro com turismo, incluindo o rural, que poderá ser a casa de um ex-agricultor transformada em hospedaria para servir de lazer aos urbanos, incluindo os ex produtores rurais urbanizados. Também, poderá ser a casa de um produtor rural que não deixou o campo e cede parte das suas instalações para receber turistas e incrementar sua renda, estimulando-o a permanecer no campo, lugar que não gostaria de ver-se forçado a deixar.

Mas, adequar uma propriedade rural para tornar-se uma aprazível pousada não é tarefa simples. Não é qualquer residência que se adequa para tal propósito e nem é qualquer espaço ambiental que serve. Precisa ter visual aprazível, oferecer serviços de qualidade incluindo culinária típica do campo, instalações confortáveis, visual relaxante e preços compatíveis com o pacote que entrega. Na Serra Gaúcha há bons exemplos de pousadas e hotéis fazenda que deram certo. É necessário analisar as causas que os levaram a ter sucesso e adaptar à realidade de cada propriedade.
O Brasil tem potencial para incrementar sua indústria turística, cada vez mais dinâmica, competitiva e exigente. Mas ainda somos pequenos na exploração desse lucrativo negócio, comparado ao dos países desde onde vieram nossos antepassados (Itália, Alemanha, Espanha e Portugal, entre outros).