A safra de soja 2017/18 será menor

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

É consenso de quase uma dúzia de consultorias brasileiras e estrangeiras que atuam em estimativas de safra, que a produção de soja da safra 2017/18 no Brasil será menor do que a da safra anterior, apesar de semear uma área superior: 33,9 milhões de hectares (Mha) em 2016/17 vs. 34,8 Mha em 2017/18. As estimativas indicam que o clima não será responsável por condições excelentes para manter as produtividades da safra passada, ou seja, as ótimas condições climáticas da temporada anterior dificilmente se repetirão e o volume de grãos produzidos deverá ficar um pouco abaixo da safra 2016/17: entre 106 milhões de toneladas (Mt) na previsão mais pessimista da Consultoria FCStone, a 112,4 Mt para a consultoria França Jr, a mais otimista. Na média das estimativas, a produção deverá acercar-se a 109 Mt; 5 Mt menor que a da safra 2016/17, que foi excepcional: 114 Mt.


Para as estimativas mais pessimistas, as chuvas irregulares de setembro e outubro deverão reduzir os rendimentos, dado o pouco vigor das plantas que emergiram de plantios realizados no pó. Para os mais otimistas, no entanto, essas irregularidades climáticas não afetarão significativamente a produtividade das lavouras, visto que a melhoria do clima verificado a partir de final de outubro favoreceu a cultura.

O plantio da soja na região tropical do país, que via de regra se realiza a partir de final de setembro, mas nesta temporada teve começo no final de outubro, o que não deverá afetar a sua produtividade, visto que a melhor janela para o cultivo da soja vai até final de novembro. O algodão 2ª safra e o milho 2ª safra, no entanto, poderão ter reduzidos o seu potencial produtivo e a área, visto que sua melhor janela de plantio ficou comprometida com o atraso no plantio da soja. Para o algodão 2ª safra, a janela ideal se restringe ao período compreendido entre final de dezembro a final de janeiro. Plantios posteriores a essa data tem sua viabilidade comprometida. Para o milho 2ª safra, a janela adequada é maior e se estende até final de fevereiro, podendo avançar março adentro (dependendo da região), mas com produtividades menores e risco de frustração por falta de umidade no final do ciclo.

Depois de seguidas safras recordes de grãos, o Brasil terá outra supersafra, mas provavelmente menor do que a do ano anterior, quando as condições climáticas foram excepcionais, o que dificilmente deverá repetir-se na presente temporada.