Inteligência Territorial na Pesquisa Agropecuária

Evaristo de Miranda, Chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite

Políticas públicas e privadas para o desenvolvimento agropecuário são focadas tradicionalmente em cadeias produtivas ou categorias de agricultores. Essas abordagens se encontram esgotadas e trazem poucas contribuições inovadoras aos novos desafios do agronegócio. A interlocução com associações do agronegócio, atores nas temáticas sociais e agrárias e formuladores de políticas públicas indica a pertinência de tratar o desenvolvimento agropecuário em bases territoriais. A inteligência territorial é um novo campo de atuação, desenvolvido pela pesquisa agropecuária na última década, para apoiar o desenvolvimento.

Recortes de imagens do satélite GeoEye, produzidas pela Embrapa Monitoramento por Satélite, para uso em projetos de pesquisa.

Fragmentação e Integração
Abordagens por categorias de agricultores ou cadeias produtivas segmentam o espaço e as realidades rurais, e criam oposições e conflitos desnecessários.
A perspectiva integradora da inteligência territorial vislumbra o processo de desenvolvimento em suas múltiplas dimensões: natural, agrária, agrícola, rural, socioeconômica etc. Categorias de produtores e cadeias produtivas são consideradas em suas complementariedades e relações orgânicas. Paradoxalmente, nessas relações residem muitos dos itinerários do desenvolvimento sustentável.
Os métodos desenvolvidos estruturam Sistemas de Inteligência Territorial Estratégica (SITEs), capazes de analisar em conjunto informações dos quadros natural, agrário, agrícola, infraestrutura e socioeconômico, em diversas escalas temporais e espaciais.

Empilhamento e análise
Não se trata de empilhar dados em sistemas de informação geográfica, como em certas iniciativas. Nelas a capacidade de empilhamento parece inversamente proporcional à de análise. A questão analítica é fundamental para nos quadros estudados e em suas interações identificar processos e atores determinantes, em bases territoriais.
Situações territoriais equiproblemáticas e equipotenciais são assim mapeadas e qualificadas. Diversos SITEs já foram desenvolvidos com detalhamentos variados em regiões geoeconômicas, estados, microrregiões e municípios.

Exemplos operacionais
Com a participação de Unidades da Embrapa e dezenas de parceiros do agronegócio estão em estudo ou construção SITEs para: a agricultura de montanha; os Campos de Cima da Serra (RS); a agricultura de sequeiro no semiárido; o Pantanal; os territórios do algodão, da soja, da caprinocultura e de outros produtos; os estados de Roraima, Amapá e Rondônia. Outros exemplos são a região geoeconômica do SEALBA (SE, AL e BA) e macrologística agropecuária.