Origem e história da soja no Brasil

José Marcos Gontijo Mandarino, pesquisador da Embrapa Soja

A soja é uma cultura de grande importância econômica para o Brasil, sendo a principal cultura do agronegócio brasileiro. Ela é uma planta originária da região denominada Manchúria, que fica no nordeste da China. Foi trazida para a Europa no século XVII, durante o período conhecido como o das grandes navegações, onde permaneceu por mais de 200 anos apenas como uma curiosidade botânica, nos jardins botânicos das cortes europeias. Chegou aos Estados Unidos da América por volta do ano 1890 onde era cultivada como forrageira. Na década de 1940 a soja chegou ao Paraguai e na década de 1950 ao México e Argentina.

A primeira referência sobre soja no Brasil data de 1882, na Bahia, em relato de Gustavo D’utra. As cultivares introduzidas dos Estados Unidos não tiveram boa adaptação numa latitude em torno de 12 graus Sul (Bahia). Mais tarde, em 1891, novas cultivares foram introduzidas na latitude 22 graus Sul (Campinas), apresentando melhor desempenho. As cultivares mais específicas para consumo humano foram trazidas pelos primeiros imigrantes japoneses em 1908. Entretanto, oficialmente, a cultura foi introduzida no Brasil no Rio Grande do Sul em 1914 na chamada região pioneira de Santa Rosa, onde foram iniciados os primeiros plantios comerciais a partir de 1924.

Farinha e grãos de soja. Foto: Vladimir Moreira

Farinha e grãos de soja. Foto: Vladimir Moreira

Um importante papel no progresso da soja no Brasil deve ser creditado, também e obviamente aos diversos programas de melhoramento genético. Como exemplo deste trabalho, no inicio da década de 70, a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto de Pesquisa Agropecuária do Sul (IPEAS) lançaram as primeiras cultivares brasileiras originadas de cruzamento em material introduzido principalmente do Sul dos Estados Unidos.

No Brasil, a grande expansão teve início a partir da década de 1970 e, na última safra de 2015/2016, a produção foi de 95,4 milhões de toneladas. As estimativas para a safra 2016/2017 variam entre 101 e 104 milhões de toneladas, o que vai depender da produtividade dos campos nessa safra vindoura.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial, e, dentre os grandes produtores (EUA, Brasil e Argentina), é o que possui o maior potencial de expansão em área cultivada, podendo, se depender das necessidades de consumo do mercado, mais do que duplicar a produção. Assim sendo, em um curto prazo o Brasil pode constituir-se no maior produtor e exportador mundial de soja e seus derivados. Os principais Estados brasileiro produtores são: Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.

No Brasil, o consumo de soja diretamente na alimentação humana ainda é muito restrito, apenas 3,5% da produção em média, simplesmente por não fazer parte do hábito alimentar do brasileiro, ao contrário do que ocorre em diversos países orientais, cujo consumo é verificado há pelo menos três milênios. Assim sendo, a conscientização do mercado consumidor brasileiro em relação aos benefícios dos alimentos funcionais demanda uma série de pesquisas com novas cultivares e novos produtos à base de soja, em busca de qualidades organolépticas adequadas ao nosso paladar, verticalizando a cadeia produtiva.