Bioenergia, um futuro de oportunidades.

Foi realizado em Mato Grosso 1º Congresso de Bioenergia de Mato Grosso, o BioenergiaMT, onde cientistas, pesquisadores, lideranças setoriais e governo discutiram soluções em energia limpa, renovável e sustentável, se discutiu amplamente a matriz energética atual do Brasil e para onde ela deve seguir, hoje a matriz que é predominantemente suprida por uma fonte fóssil que é de petróleo ou carvão mineral e altamente poluente, já começa rapidamente a se inverter para novas fontes renováveis.

Ao se olhar para as oportunidades que o Brasil tem para desenvolver a bioenergia, o congresso apresentou soluções viáveis para potencializar os recursos naturais disponíveis no estado. Não só MT, mas o Brasil tem hoje uma enorme produção de soja, milho, bovinocultura de corte, cana-de-açúcar e possibilidade de plantio de florestas, sendo assim o que o mundo deseja é uma matriz energética mais limpa e renovável, o país tem todas as condições avançar nesta linha pois sem dúvida tem um verdadeiro pré-sal de energia limpa e sustentável.

Porém, o que se apresenta como oportunidade e um fator gerador de riquezas, no Brasil tem seus entraves burocráticos, e a falta de políticas públicas consistentes que deem segurança aos investidores, o segmento bioenergético tem grandes desafios de licenciamento ambiental, infraestrutura, logística e mão de obra, um exemplo clássico foi o que aconteceu com o setor florestal no Rio Grande do Sul que foi totalmente engessado por restrições ambientais ao plantio de florestas.

A demanda mundial por energia elétrica nos próximos 30 anos irá dobrar, surgindo aqui uma oportunidade para as termoelétricas com fonte em biomassa, porém no Brasil o governo federal através da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) dá prioridade a compra de energia térmica gerada de fonte fóssil que é o diesel, sendo que isto desestimula totalmente a ampliação de novos empreendimentos onde a fonte é a biomassa de florestas plantadas, mas o que se espera é que isto se reverta em breve criando uma real oportunidade para o setor florestal se expandir.

No congresso ficou bem demostrado o défice de 8 bilhões de litros de combustível já neste ano, sendo assim importaremos cada ano mais gasolina, combustível este que sem dúvida exporta divisas, é inadmissível pensar que um caminhão transporte gasolina dos portos até Sinop por exemplo enquanto que lá poderia se estar produzindo etanol de milho, cereal que geralmente exportamos a preço muito baixo, sendo assim nada mais razoável que se transforme parte deste milho que não demandamos internamente em etanol.

O IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola) apresentou a viabilidade de novas usinas flex e full de etanol de milho no MT. A primeira usina dedicada de milho (full) que irá produzir 210 milhões de litros de etanol/ano e já está em ampliação para duplicação consumindo neste caso 1 milhão de ton de milho/ano. Os investidores apresentaram que o investimento de mais de 340 milhões de reais estará amortizado com no máximo quatro anos de operação.

O Brasil tem atualmente 8,9 milhões de hectares de florestas plantadas, o que corresponde a 1% do território nacional apenas, temos um potencial enorme para o plantio de florestas devido ao nosso clima tropical, apesar dos entraves, o setor tem grande vantagem competitiva em função do alto desempenho ambiental e social, da baixa idade de rotação, do potencial para expansão e da alta produtividade. Isso tudo reflete em mais renda e emprego.

No setor termoelétrico é importante se atentar para a oportunidade da Geração Distribuída – termo usado para designar a geração elétrica realizada por consumidores independentes. Neste modelo os consumidores que tem armazém, pivô-central etc. ou seja, produtores de grãos que possuem uma grande demanda de energia, podem produzir sua própria energia, energia que ao ser colocada na rede cria uma conta compensatória onde ele tem cinco anos para usar a energia pagando apenas a demanda a concessionária.

Seja no etanol de milho, na termoelétrica de biomassa, seja no biodiesel as oportunidades estão postas, se vê urgente a importância de se criar fatores regulatórios e tributários adequados para que se possa investir com segurança, não dá para se fazer um investimento que requer amortização de médio a longo prazo ter suas regras ambientais, regulatórias e fiscais alteradas a cada ano, o Brasil tem para os próximos anos uma grande oportunidade de ser um dos principais fornecedor de alimentos e energia ao mundo, resta saber se fará o dever de casa.

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