Conab diz que cotação do milho pode vir abaixo do preço mínimo

IMG_6969[1]Segundo dados da Conab, a próxima safra de milho pode ser de 88 a 92 milhões de toneladas. O estoque inicial brasileiro é de 7,5 milhões de toneladas, com um consumo estimado em 56 milhões de toneladas. Considerando uma exportação de 24 milhões de toneladas, teremos um estoque final de 16 milhões de toneladas, um dos maiores da nossa história. Isso irá pressionar as cotações para baixo, podendo trazer os preços abaixo do preço mínimo em alguns estados brasileiros.

Dados da Conab apontam que a safra de milho pode ser recorde, pois a primeira safra está indo muito bem, Mato Grosso deve plantar a segunda safra dentro da janela adequada, e as previsões climáticas apontam para precipitações acima da média nas principais regiões produtoras do Brasil.

Claro que o preço irá depender ainda de como será a safra mundial, mas tudo aponta para uma safra recorde, com estoques mundiais de 21%, o que faz o mercado externo precificar o milho para baixo no mercado internacional.

Porém o mercado pode ter algumas mudanças positivas. Uma delas é o fato de a China ter criado preço mínimo para a soja, o que deve estimular o aumento de área de soja e consequentemente diminuição do milho. Como eles já são importadores, podem aumentar a importação, o que seria positivo ao Brasil.

Outro fator é o possível desacordo dos EUA pelo presidente Trump com o TPP (tratado comercial do Transpacífico), do qual fazem parte diversos países importadores como Austrália, Japão, México, Canadá, Nova Zelândia, Vietnã, Malásia, Singapura, Chile e Peru. Esses países são responsáveis pela importação de 33% de todo o milho exportado, sem falar na importação de carne de frango e suínos, que é maior. Sendo assim, pode surgir uma oportunidade para o Brasil.

Fatores que podem contribuir negativamente: um deles é o fato de os EUA estarem querendo retomar sua importância na exportação do milho, exportando acima de 56 milhões de toneladas. Outro ponto é o fato de Rússia e Ucrânia terem um volume significativo de milho na safra para exportar, sendo grandes competidores com o Brasil. Sem falarmos na Argentina e Paraguai, que na última safra forneceram juntos 3 milhões de toneladas para os granjeiros da região Sul do Brasil.

Um fator que tem incomodado os países exportadores é a Ucrânia, que tem plantado milho de diversas biotecnologias sem nenhuma regulação e aprovação em países compradores, principalmente na Europa. Ou seja, a Ucrânia tem um superávit de 20 milhões de toneladas que fornece para a Europa.

Por outro lado, a segunda safra está comercializada em 35%, mas mesmo assim é pouco, o que pode pressionar o mercado pela grande oferta na colheita. O governo está atento e deve lançar instrumentos como aquisição e apoio à comercialização. O estoque do governo está baixo e deve incrementar com opções e AGF algo em torno de 3,8 milhões de toneladas.

O cenário não é positivo. Tudo aponta para uma supersafra e preços baixos, mas o cenário tem variáveis. É preciso estar atento e na oportunidade travar o preço. Afinal, a crise é complicada, e os custos de produção estão muito elevados, o que não deixa margem.

7 respostas para “Conab diz que cotação do milho pode vir abaixo do preço mínimo”

  1. noeli disse:

    Um absurdo……agricultores investem no cultivo do milho para não terem preço na safra……quem planta sabe o custo da semente, adubos e outros produtos para se produzir……
    Uma sacanagem…..todos os produtos na safra tem míseros preços…..deixando sempre no prejuízo os pequenos agricultores…

  2. Jorge moreira filho disse:

    O mercado consumidor e um patrimônio de uma nação e deve ser protegido. O derrame de milho argentino e paraguaio deve ser contido e ser reservados apenas para o período de escassez. Derivados de milho nem falar. As associações dos produtores devem estimular novos usos culinários e industriais. A qualidade do milho nacional tem melhorado e seu uso na ração tem promovido crescimento e engorda celerado reduzindo assim o consumo do grão.

  3. Miguel disse:

    Glauber o que você recomenda fazer ? eu vendi 50% do meu milho no contrato a 36 R$ a saca, foi entregue ate fim de janeiro, agora o preço ta nessa miséria de 25 R$ aki, será q devo acertar o restante ou esperar pra ver o que acontece ! eu sou do RS, aqui a safra de milho ja foi toda colhida !

    • glaubersilveira disse:

      Olha, infelizmente esta decisão é sua, vc quem sabe seus custos, ai o preço deve se manter nestes preços, se cair será para R$ 22,00 mas não se sustenta este preço por muito tempo, sendo assim vc que tem que saber da sua necessidade de vender logo ou poder esperar um melhor momento, mas tudo indica para uma safra cheia de milho, mas muita coisa pode acontecer, apenas te digo que não dá para apostar no milho a R$ 35 ai, pode ter novamente mas o cenário é o contrário.

  4. Diomedio Parreira Mamore disse:

    Realmente se requer muito cuidado na hora de comercializa ,, vai ser ano de muitas demandas ,,, tipo ofertas na hora da colheita e poucos compradores, ,, isto vai implicar diretamente nos preços se tornado difícil pra fechar contas ..a demanda vai ser acirrada..nos que somos intermediários aos negócios temos que ficar atentos … o custo de produção está muito alto ,,, e na realidade não vai ser fácil de fechar as contas…

  5. Nossa que demais aprender como importar produtos dos EUA. Vou colcoar as dicas citadas aqui e ver o que acontece. Muito obrigado por compartilhar.

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