Oportunidade X Oportunismo – A cobrança da tecnologia intacta aqui no Brasil

 

Nesta semana o Canal Rural apresentou uma série de reportagens sobre a cobrança de Royalties (Taxa Tecnológica) sobre o uso da soja Intacta da Monsanto. Podemos ver isso como algo muito interessante e aprendermos muito com tudo, mas preciso chamar a atenção para os perigosos efeitos colaterais que poderão surgir. Entender o modelo de cobrança e a formação de valor e do preço da tecnologia é importante e também pode ser muito estratégico para o momento em que o país vive. Desta forma, veremos como nosso querido Brasil é caro e penaliza quem aqui trabalha e aqui investe.

Não é apenas o valor da tecnologia intacta que é mais cara aqui no Brasil. Tudo aqui é mais caro: os carros, os telefones, a telefonia, a internet, a gasolina, etc. e nós sabemos muito bem o motivo desta careza (isso é oportunidade). E por que essa discussão pode ser perigosa e pode causar efeitos colaterais muito sérios? Quero chamar a atenção para o fato de que toda essa discussão não terá valido a pena se a Argentina, que não paga a tecnologia sobre semente salva e recolhe apenas U$ 16,00/ha (segundo a reportagem do Canal Rural), for utilizada como modelo para desenhar aqui um novo sistema de cobrança (isso seria oportunismo).

Quero chamar a atenção para o fato de que de todas as novas biotecnologias com potencial uso na sojicultura (Cultivance, Liberty Link, Enlist, etc), nenhuma delas vê na Argentina um mercado atrativo. Por isso, à princípio, não serão lançadas para nossos “hermanos”. Cenário típico de marginalização tecnológica.

Outro exemplo em que a Argentina foi deixada de lado ocorreu quando o Grupo Dom Mario (Brasmax, GDM e Horus) decidiu deixar a argentina e focar o lançamento de novas variedades no Brasil. Por que decidiram isso? Certamente porque perceberam mais potencial e confiança no nosso mercado e no nosso arcabouço legal.

Quem ganhou e quem perdeu com isso?

Portanto, convido a todos para estudar a fundo essa questão. Precisamos, de verdade, saber porque tudo aqui é mais caro. Mas vamos fazer isso com prudência, sabedoria e muita visão estratégica. Se os nossos parceiros e fornecedores não confiarem no nosso mercado, todos perderemos. Pense nos desafios de fazer agricultura em 2025 e 2030. Quem estará contigo? Quais os desafios e quais serão as tecnologias disponíveis?

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