Tendências dos Preços na CBOT Após-USDA (Área e Estoques, do dia 29 de março)

A divulgação dos relatórios de Estoques do USDA quase sempre produz uma forte resposta nas cotações de contratos futuros na CBOT, assim como no mercado físico americano. Em muitos dos anos, são os números de estoques que direcionam e causam volatilidades nos preços, já que esta estimativa é publicada em março, na entressafra americana. Além do mais, este relatório do USDA é considerado o mais importante do primeiro trimestre de 2018!

Com os números de estoques de grãos nos EUA, os operadores podem decidir se o preço precisa aumentar para que os estoques sejam racionados até a próxima safra ou se os preços precisam cair para estimular a demanda – usando uma simples analogia. Uma exceção é feita para anos de estoques grandes (tema de 2018) em que os valores de estimativa de área plantada é que terão mais importância.

Se falarmos em termos percentuais, os preços de milho na última década tiveram uma variação de 4% no dia que este relatório do USDA é divulgado. Isso significa em um ganho ou uma perda de $0.15 centavos neste ano (levando em conta o patamar de preços atuais de $3,70 – $3,75 por bushel) com uma tendência forte para que os preços subam ao invés de cair. Em 8 anos dos últimos 10, as cotações de milho subiram no dia seguinte ao relatório de março e em 7 anos dos últimos 10 anos os preços continuaram em alta na semana seguinte à divulgação destes novos números.

No caso da soja, as mudanças nas cotações após os relatórios tendem a ser iguais às do milho nas variações percentuais, mas em valores absolutos as altas na soja são ainda maiores do que às vistas no milho. Na última década, as cotações de soja se moveram em média de 3% no dia seguinte à divulgação do relatório, e cerca de outros 3% na semana seguinte. Neste ano, os preços podem cair ou subir de 20 a 30 centavos de dólar por bushel no dia seguinte ao relatório e também outra mudança no mesmo patamar ($0,20-$0,30) pode ser esperada na semana seguinte.

Observe no gráfico que as mudanças nos preços da soja nos últimos 3 anos, assim como o milho, têm tido pouca volatilidade devido aos altos estoques, que acabam limitando as altas nos preços já que o mercado entende que o volume de grãos é suficiente para atender à demanda. Os estoques americanos de soja neste ano são estimados em um valor recorde de 55,9 milhões de toneladas. Aqui em Chicago, a discussão que acontece neste momento é: até que ponto a demanda mundial de soja vai aumentar com a quebra de safra da Argentina; e quanta soja será comprada via Brasil ou EUA?

 

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