Mudanças nas Estimativas da Safra Argentina em Março

O USDA vai divulgar seu relatório em breve (11am em Chicago e 14h em Brasília). O mercado espera uma redução de 6 a 7 milhões de toneladas na safra argentina, um corte recorde para o mês de Março, mas as condições de clima seco até hoje podem significar que esta redução, apesar de recorde, ainda é conservadora. Em fevereiro, o USDA reduziu as estimativas de produtividade para 2,92 toneladas por hectare, valor da tendência dos últimos 30 anos.

Se analisarmos as duas últimas secas, a média nacional de produtividades caiu 15% abaixo da tendência em 2011/12 e 30% abaixo da tendência em 2008/09. Uma redução no mesmo patamar destes anos pode levar a produtividade para 2,50 ton/ha e 2,06 ton/ha, respectivamente.

Levando em consideração que o USDA definiu a área colhida a 18,5 milhões de hectares, uma redução para estas duas produtividades (2,50 e 2,06) levaria a safra para 46 milhões de toneladas e 38 milhões de toneladas, respectivamente. Se usarmos uma área de 18 milhões de hectares (contando com abandono de lavouras em regiões muito secas) a safra pode chegar a ir abaixo de 40 milhões de toneladas (o inicial era de 55 milhões de toneladas) mesmo sem um grande corte na produtividade.

Mesmo com os estoques de soja em queda na Argentina o gráfico acima mostra que os estoques de safras antigas no país se encontravam em níveis recordes. O relatório de fevereiro do USDA estimou os estoques argentinos em 16 milhões de toneladas, o equivalente a 30% de toda a safra argentina de 2017! Os produtores começaram a segurar sua soja em 2014 com a desvalorização do peso e a perspectiva de corte nos impostos de exportação.

Preços físicos de soja na Argentina nesta semana são os maiores de todos os tempos a $ 6,350 pesos por tonelada. Grande parte desta alta é devido à desvalorização do peso. Se convertermos este valor de pesos por tonelada por dólares por tonelada, o preço seria de $8,51 por bushel, preços acima das safras de 2015 e 2016. Com a continuidade da seca e sem ter certeza sobre quanto irão colher, os produtores pararam de vender soja.

Os produtores argentinos sabem que o mundo precisa do farelo que eles exportam (a Argentina é responsável por quase 45% do mercado mundial de farelo) e esperam por melhores preços para vender.