Qualidade da Soja Brasileira Dá Show na Americana

Enquanto o mundo, principalmente a China, amplia o consumo de proteínas animais e gera uma demanda recorde por soja e seus derivados, os americanos continuam perdendo espaço para os brasileiros na hora de fornecer soja.

A safra recorde nos Estados Unidos não ajudou a elevar as exportações do grão americano, que continuam evoluindo em ritmo bem mais lento do que em 2016, e o mercado começa a buscar explicações para o fenômeno.

Diferença de proteínas

Um dos motivos vistos pelo mercado está na quantidade de proteína do grão de soja colhido. Quanto menor a concentração de proteína na soja, menor a quantidade de proteína presente no farelo de soja e mais grãos serão necessários para esmagamento para atingir um patamar de proteína satisfatório.

Brasil x EUA

Com um clima mais seco do que o normal em 2017, a safra americana acabou registrando média de 34% de proteína, mesmo valor do ano de 2008 e a menor quantidade desde 1986. Dentro da composição de um grão de soja, cerca de 35-40% do grão é composto por proteína (para efeito de comparação o feijão registra teores em torno de 20%).

Já a soja brasileira registra valores próximos a 37% de proteína. O último estudo da Embrapa disponível (2015) mostra que a média brasileira naquele ano foi de 36%. Apesar de a diferença não parecer grande (de 34% para 37%), um produtor brasileiro que colher 4 toneladas de soja por hectare possui cerca de 120 toneladas de proteína a mais do que um produtor americano.

Essa diferença na qualidade da soja, caso continue ou até aumente, pode reduzir ainda mais a demanda dos chineses para a soja americana, tendo em vista que o Brasil atualmente tem registrado safras recorde e pode atender boa parte da demanda do maior comprador de soja do planeta.

DEMANDA

As exportações de soja dos Estados Unidos (Setembro a Agosto) devem fechar em alta em relação à safra anterior. Mas entre setembro e novembro de 2017, os primeiros 3 meses do ano marketing, as exportações americanas foram de 23 milhões de toneladas (redução de 8%). Já o Brasil, que historicamente não é um vendedor de soja nestes meses, mais que dobrou seus embarques em relação à 2016.

Porém, apesar da preocupação do mercado e de produtores americanos, a China historicamente reduz suas compras em dezembro e janeiro, voltando em fevereiro e março para adquirir grãos colhidos do Brasil. Nós estimamos que a China deve importar “apenas” 5,75 a 6,75 milhões de toneladas em janeiro e 4,25 a 5,25 milhões de toneladas em fevereiro.

 

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