La Niña e Produtividades na América do Sul

Os meteorologistas estão menos entusiasmados com a possibilidade de um La Niña forte nos próximos meses, mas um La Niña mais fraco ainda é previsto. O fenômeno coincidirá com o desenvolvimento da safra sul-americana, e o trabalho de análise da AgResource sugere que o La Niña normalmente não favorece as produtividades na América do Sul.

Todos os anos são diferentes, e o clima também muda bastante, mas matematicamente as chances de termos produtividades altas no milho e soja na América do Sul foram rebaixadas. Independente da força, um La Niña atingirá o pico no período de dezembro-fevereiro.

Os dois gráficos aqui incluídos mostram as produtividades de soja e milho comparados com a tendência dos últimos 15 anos, somente em anos de La Niña.

MILHO

Como podemos notar, os resultados de produtividades do Brasil são muito diferentes, o que pode ser explicado pela vasta área produtora no país, sujeita a diferentes padrões climáticos (Norte, Centro-Oeste, Nordeste). Enquanto na Argentina é fácil notar que anos de La Niña não ajudam nas produtividades. Em apenas três invernos com La Niña desde 1975, a produtividade do milho argentino ultrapassou a tendência, enquanto em 75% dos anos de La Niña o rendimento ficou abaixo da tendência e, às vezes, substancialmente.

SOJA

Há uma relação menos clara entre anos de La Niña e queda de produtividade da soja na produção sul-americana – embora pareça que o La Niña impacte o potencial produtivo. Na Argentina, os invernos de La Niña desde 1984 resultaram em rendimentos abaixo da tendência em 5 de 11 anos, com os rendimentos alcançando a tendência em outros dois anos.

No Brasil, as produtividades da soja foram abaixo da tendência em 8 desses 11 anos, e os rendimentos diminuiram 5% abaixo da tendência em outros 4 anos. As produtividades de soja do Brasil em qualquer ano possuem 55% de chance de virem abaixo da tendência, contra 73% durante anos de La Niña.

É muito cedo, mesmo com a secura anormal no Brasil, para cortar as produtividades da América do Sul abaixo da tendência. Uma perda de 5% na produtividade de soja no Brasil, por exemplo, tiraria 7 milhões de toneladas da produção brasileira.

 

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