Sem Lula, o tempo é de Bolsonaro

A decisão do STF de negar habeas corpus ao pré-candidato Lula dificulta as pretensões do PT. Não encerra a novela da prisão, é bom dizer. Isso porque Lula pode ser solto até mesmo por uma simples liminar de um ministro do STF em um novo pedido de habeas corpus. É um cenário bem possível daqui até a eleição de outubro.

Mas esse rolo todo de Lula nos tribunais abrirá caminho para jogar os holofotes sobre Bolsonaro. Muita gente vê o deputado do Rio como a salvação da lavoura. E cada vez mais. Outros tantos não votam nele de jeito nenhum por ojeriza à forma e ao conteúdo.

Fato é que, não apenas nas pesquisas, a candidatura Bolsonaro cresce a olhos vistos. E já não depende só do antagonismo a Lula. Tem um ritmo próprio, um viés orgânico identificado com uma ampla camada social e forte sintonia com temas caros à população comum, aquela que está longe de qualquer benefício de governos e do Estado.

O ex-capitão do Exército ganha adeptos no campo e nas cidades por seu discurso radical contra a bandidagem, seja ela política, institucional ou comum – nas ruas, fazendas, morros ou favelas.

O discurso de Bolsonaro “cola” porque trata da vida real das pessoas mais afetadas por violência, desemprego, falta de médico, escola de baixa qualidade e ônibus ruim. E , sobretudo, porque é um contraponto à percepção de corrupção generalizada no mundo político tradicional, amaldiçoado pelos eleitores desencantados com os destinos do País.

Na Câmara dos Deputados há 27 anos, ele também foi vereador no Rio entre 1989 e 1991. Mas não é percebido como parte do mundo político. É, sim, visto como um resistente, um combatente desse ambiente contaminado por corrupção, compadrio e malandragens de todo tipo. É um fenômeno.

O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa tem atributos semelhantes por ter sido impiedoso com o PT e seus dirigentes no julgamento do mensalão. Mas está num vai-não-vai com o PSB e só aceita ser cabeça de chapa. A ex-estrela do Supremo poderia ser um contraponto à altura no mesmo campo do deputado militar?

Enquanto a esquerda está longe de desconstruir a imagem do deputado, já que parte dela precisa acertar suas contas com a Justiça, Bolsonaro é recebido com festa em aeroportos, reuniões, carreatas, no Brasil e no exterior. E passou a angariar apoios nos setores financeiro, industrial e, muito especialmente, no agropecuário.

O cansaço das multidões com o blá-blá-blá dos governos, e não só aquele dos palácios de Brasília, alavanca o deputado em sua cruzada. Claro, seu PSL tem menos de 10 deputados, os recursos para a campanha serão escassos, o tempo de TV ainda menor e suas alianças são restritas a um grupo ainda pequeno.

Mas é inegável a força do discurso de Bolsonaro. Mais ainda: é surpreendente a amplitude do perfil daqueles que concordam e apoiam suas ideias. É a vida real batendo às portas do mundo político.

Uma resposta para “Sem Lula, o tempo é de Bolsonaro”

  1. Dirceu Luiz Rancan disse:

    Com a prisão de Lula vai favorece a Elite.

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