Temer de novo no alvo. E com “risco real” de nova denúncia no STF

Michel Temer é o alvo. De novo. O grupo político no poder avalia que há “risco real” de uma terceira denúncia contra o presidente ao STF por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do decreto dos portos. No centro do rolo, está uma norma editada em 2017 por Temer para abrir caminho à ampliação das concessões de operadores portuários em Santos por até 70 anos.

A prisão de amigos íntimos do presidente, parte deles políticos e empresários que mandaram no porto de Santos durante décadas, indica um claro cerco da Justiça em torno desse tema.

Uma nova denúncia ao STF teria que ser feita pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. E os deputados teriam que, novamente, votar uma autorização para processar Temer. Dois pedidos anteriores foram rejeitados no ano passado. Quase sem base parlamentar na Câmara, e com Rodrigo Maia pré-candidato ao Planalto, o presidente pode enfrentar um processo de impeachment no meio da campanha eleitoral. É um risco real.

Mas o principal fato novo, agora, é a ação de Raquel Dodge. Foi a pedido dela que o ministro do STF Luís Roberto Barroso determinou a prisão dos amigos e ex-auxiliares de Temer. O núcleo duro do PMDB esperava um alívio da PGR após as duas denúncias feitas pelo ex-procurador Rodrigo Janot. Vê-se agora que Dodge é tão ou mais dura na queda do que seu antecessor. A diferença está, parece, apenas no estilo, mais reservado e discreto.

Barroso, aliás, tem um gosto especial no caso. Ele atuou firme para reprimir o então diretor-geral da PF, Fernando Segóvia, que afirmou à Reuters não haver indícios de crime de Temer no caso dos portos. Barroso intimou Segóvia a se explicar, mandou quebrar o sigilo bancário de Temer e agora autorizou a operação da PF contra os amigos íntimos do presidente.

Desde antes de exercer seus três mandatos como presidente da Câmara (entre 1997 e 2010), Temer sempre foi influente nas indicações do PMDB para o comando portuário de Santos.

Não é por outra razão que a origem do atual processo foi uma conversa gravada entre Temer e seu então assessor Rodrigo Rocha Loures, que tratava do assunto. Rodrigo foi centro do terremoto político de maio de 2017 causado pelas delações dos executivos da JBS. E foi flagrado pela PF com uma mala de dinheiro pelas ruas de São Paulo.

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