De volta ao “junho de 2013”

A incompetência dos governos tem uma rara chance de remissão. A volta das manifestações de indignação com governantes e políticos frouxos revive o auge dos protestos contra Dilma Rousseff, em junho de 2013. O País transborda de raiva com o assassinato da vereadora e seu motorista no Rio.

Passou da hora da reação do Estado. Dura, pra valer. Pra varrer do mapa o esquema criminoso na antiga, e também na nova, capital da República. Reação sem concessões. Na veia. A democracia e o voto popular não podem conceder mais uma vitória à bandidagem que anda de braços dados com os donos do poder político e econômico, no Rio e em todo o Brasil. Nas grandes cidades industriais ou nos municípios agrícolas.

À época de Dilma, as ruas tomaram os palácios, o Congresso e as Assembleias para gritar que o limite havia chegado. De lá para cá, a coisa só piorou. Mal arranhou-se o limite. O impeachment ardeu na fogueira de “ideologias” inúteis e o País rachou em discussões juvenis entre mortadelas e coxinhas.

As vísceras da corrupção ainda bóiam nas águas da nossa vergonha. A Lava Jato lavou parte da nossa alma, mas as águas ainda fedem a negociatas. Muitos barões escaparam entre os dedos da Justiça, operada por um STF envenenado pelo poder e centrado em suas disputas políticas.

Nesse intervalo, a política retomou o controle da situação. Fez uma reforma eleitoral pensada para manter o poder de caciques, em grande parte réus, e blindar os principais partidos. Outubro vai escancarar isso ao reeleger uma ratatuia atrás do foro privilegiado.

É preciso elevar o olhar, enxergar o todo. Todas as mortes de gente inocente, todos os encurralados pela miséria da violência. Ministério Público Federal, Polícia Federal e Forças Armadas têm obrigação com a Nação. E têm a confiança do País. Esse ataque covarde no Rio pode ser a gota d’água. Pode ser.

 

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