“Doutrina Bolsonaro” entra em ação pelas mãos de Temer

A “doutrina Bolsonaro”, de enfrentamento da bandidagem pelo Estado, combatendo “violência com violência”, ganhou as ruas antes mesmo de uma possível eleição do capitão-deputado. A intervenção do Exército no Rio, ao que parece, não será molezinha. Do contrário, os generais não topariam assumir essa bomba.

A tropa não sairá dos quartéis sem ordem expressa para “limpar” uma cidade sitiada por facções criminosas, traficantes e milicianos em forte sintonia com políticos ligados ao crime. Como isso será operado é que são elas. O general, agora no comando, conteve os ânimos na Olimpíada. Mas agora a ação será permanente, e não pontual.

É bom lembrar que Michel Temer sancionou a Lei 13.491 (íntegra aqui) para garantir julgamento de eventuais mortes intencionais de civis durante ações das Forças Armadas na Justiça Militar. É uma lei duríssima, batizada de “licença para matar” por ativistas de direitos humanos. Veremos, agora, como isso funcionará na prática no Rio.

A nulidade dos desgovernos do Rio, Pezão e Crivella somados, pavimentou essa intervenção. E o descontrole no Carnaval só agravou uma situação-limite.

É algo grave em regimes democráticos. Mas algo defensável em governos fracos e incompetentes. Os brasileiros, e os moradores cariocas em especial, estão cansados de esperar uma ação efetiva dos governos. Mais do que isso: muitos morreram nessa guerra esperando. A onda de violência, largamente gestada em presídios, também atinge Rio Grande do Sul, Ceará, Roraima, Amazonas e Goiás, entre outros. Muitos outros brasileiros dessas regiões foram assassinados por esse descontrole.

Temer foi ao limite de sua autoridade. Vai, inclusive, paralisar o Congresso e a vida política nacional. A natimorta reforma da Previdência ganhou mais um motivo para seu enterro. E Temer, um pretexto para justificar uma derrota certa.

Há muito de risco calculado nessa atitude, entre eles a transferência do poder total de polícia ao Exército. Num País que foi dilacerado pela ditadura militar, ainda muito viva na memória, isso não é pouco. Mas há uma fronteira desconhecida nessa atuação dos militares. Isso será mais agudo nas favelas da Zona Sul e nos subúrbios.

O País mergulha, assim, no imponderável. O senso comum manda apoiar uma ação dura e eficaz. Mas, sem dúvida, haverá efeitos colaterais dolorosos nessa guerra que começou hoje. E que pode levar a “doutrina Bolsonaro” ao Palácio do Planalto em outubro.

 

11 respostas para ““Doutrina Bolsonaro” entra em ação pelas mãos de Temer”

  1. Luís disse:

    Na CF está escrito que os cidadãos brasileiros tem direito a vida e a “segurança é garantida p/ Estado.” Faz muito tempo q. isso não é verdade, que pessoas de bem, trabalhadores, pais e mães de famílias são assassinados covardemente e as nossas PSEUDO AUTORIDADES NÃO FAZEM NADA. Só o exército nas ruas não resolve, tem que mudar as leis, mudar o sistema penitenciário. Já passou da hora de separar o cidadão de bem ser valorizado e bandido ser tratado como bandido, ou, se preferírem, DOENTE SOCIAL, que deve ser retirado do convívio com a sociedade de bem.

    • Valente disse:

      Concordo plenamente com você Luís, há uma inversão de valores na sociedade, estamos acometidos de um pragmatismo onde ser rigoroso com quem causa o mal é errado.

  2. ENOQUE DOMINGOS DE OLIVEIRA JÚNIOR disse:

    Bandido não se trata com faixas e cartazes de ” abaixo a violência”, se trata com a dureza da repressão armada e corajosa de tropas, militares ou não, com um único objetivo “limpar, varrer” maus elementos das nossas ruas!
    Avante!
    Mito neles!!

  3. ENOQUE DOMINGOS DE OLIVEIRA JÚNIOR disse:

    Bandido não se trata com faixas e cartazes ” abaixo a violência”, se trata com tropas, militares ou não, de coragem e bem equipadas para “varrer e limpar” os maus elementos de nossas ruas.
    Avante!
    Mito neles!!

  4. Jeh disse:

    Não terei dó nenhuma quando ver um traficante, bandido abatido pelo o exército, pelo o contrario, irei comemorar por cada sentença que for aplicado na ponta do fuzil.

  5. Flavio Ferreira disse:

    E que pode levar a “doutrina Bolsonaro” ao Palácio do Planalto em outubro.

    Amém #BolsonaroPresidente

  6. Luiz Cláudio Canuto disse:

    Queisso, Mauro? Tá tudo previsto na Constituição. Para situações assim, soluções assim.

    Pergunte à população sitiada se ela se sente ultrajada pela presença de soldados nas ruas. Ao contrário, a sensação é de alívio.

    A intervenção tem regras e não há imponderavel algum, a não ser pra quem enxerga fantasmas? Que quebra de institucionalidade poderia haver num país que voltou a crescer e com todos os indicadores melhorando? Não há fantasmas à vista. Quanto a relacionar a intervenção à paralisia do Legislativo e à reforma, ok, desde que houvesse alguma relação entre a decisão de tomar a medida e o efeito provocado. A paralisia possível será uma decorrência. Se o Rio estivesse um paraíso, eu te daria alguma razão de desconfiança.

    Ah, Bolsonaro foi contra a intervenção (pelos motivos errados, como sempre).

    Um abraço grande.

    • maurozanatta disse:

      Canuto, tudo bem contigo? De fato, você tem razão. A população terá alívio, espera-se.
      Como escrevi, “os brasileiros, e os moradores cariocas em especial, estão cansados de esperar uma ação efetiva dos governos. Mais do que isso: muitos morreram nessa guerra esperando”.
      Há, a meu ver, o imponderável sobre os resultados dessa ação. Penso que as Forças Armadas entraram numa fria, sob o comando de civis ineptos, como Jungmann, por exemplo.
      O Congresso já está paralisado, seja pela mobilização que outros Estados também farão exigindo tratamento igual ao Rio, seja pela opção por uma agenda com foco correto na segurança pública. O drama é que nem PLCs, muito menos PECs, podem ser votados no Congresso sob essa intervenção.
      Claro que a “bancada da bala” ganhará muita visibilidade, e votos, com esse aggiornamento…
      Sobre as posições de Bolsonaro, deixo o julgamento para os eleitores.
      Grande abraço. Zanatta

  7. Neri Benetti disse:

    Se a ditadura militar dilacerou o país, como pode q no governo militar apesar das armas serem liberadas para a população de bem, e os índices de desenvolvimento humano serem muito aquém dos atuais havia segurança púbica? ora passou da hora do estado zelar pelos direitos humanos das pessoas de bem e não dos bandidos, e colocar um basta para a “ANARQUIA” instalada e restabelecer a ordem para alcançar o progresso.

  8. José Rogério Meirelles Reis disse:

    Bandido se trata como Bandido,protegendo o cidadão.Exercito é para esses momentos.

  9. Paulo Fernandes disse:

    É apenas mais uma medida para jogar uma cortina de fumaça diante da realidade. A realidade é que a exclusão das classes menos abastadas, economia fraca e governo sem moral é o caminho para uma sociedade violenta e desorganizada. Quando vamos parar de achar que o problema di país vai ser resolvido na bala? Quando é que as pessoas que tem um pouco mais de capacitação, que não são muitas, vão parar de pensar como colônia e vão pensar em um projeto de país? A situação do Rio no que se refere às facções criminosas não melhorou mem piorou. Apenas as UPPs espalharam o problema que estava restrito aos morros da Sul. Por que os traficantes preferem a zona sul? Porque lá estão 80% dos seus clientes. As UPPs expulsaram parte dos traficantes para outras áreas do Rio e do interior, aí os cariocas sentiram o aumento. Mas, o que está matando os cariocas não é o tráfico, são os assaltos que mada tem a ver com crime organizado. O Rio não precisa de uma guerra nas favelas ou nas ruas. O Rio precisa é de polícia boa e atuante. Exército não é polícia e desta atitute recheada de sugandas intenções, ainda veremos muitas notícias tristes. Ainda temos a ameaça de mais 9 intervenções . Aliás, o que foi 1964? Exército nas ruas e políticos corruptos todos em conluio pelo bem da nação. Tem que desenhar?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *