Lula radicaliza batalha na Justiça para manter campanha de pé

O que o ex-presidente Lula mais quer agora, após sua segunda condenação no caso do triplex do Guarujá, é ficar longe da prisão. A dureza da cana não valeria um sacrifício. Nem mesmo para, eventualmente, ser eleito em outubro como vítima-mor da Lava Jato e do megaescândalo de roubalheira na Petrobras.

Para ficar longe de Curitiba, Lula tem que manter o discurso político sobre a alegada perseguição judicial. E sustentar a batalha nos tribunais superiores. No aspecto criminal, pedirá um habeas corpus preventivo ao STJ ou ao STF para evitar as grades da Lava Jato. Na esfera eleitoral, terá até 15 de agosto para registrar sua candidatura na Justiça Eleitoral. Certamente, isso lhe será negado pelo TSE. Mas é exatamente essa negativa que o ajudará a cristalizar sua narrativa e, quem sabe, transferir votos a um novo “poste” – Dilma e Haddad já desempenharam esse papel.

O plano eleitoral de Lula e do PT passam necessariamente por esses caminhos, com algumas nuances e matizes. Se isso dará certo, só a Justiça dirá.

Fato é que a primeira missão é livrar-se da cadeia. Para isso, pode ajudar muito um novo julgamento pendente no STF sobre a prisão imediata de condenados em segunda instância. Por obra do destino, o ministro Gilmar Mendes, principal opositor dessa regra da Lei da Ficha Limpa, vem a ser um detrator de Lula. E, assim como Lula pode ser limado das urnas pela lei que ele próprio promulgou, o combativo ministro pode ajudar seu adversário figadal.

São as voltas que o mundo dá. Mas, como em Brasília nada ocorre por acaso, veremos em breve o desfecho de mais essa alternativa para Lula. Sem a ameaça da prisão, Lula estará livre, leve e solto para radicalizar sua campanha até o fatídico 15 de agosto. Impedido pelo TSE, terá até 17 de setembro para indicar seu sucessor na urna ou apoiar um Ciro Gomes, por exemplo.

A pergunta que fica é: o País aguentará tanto suspense e tanto embaralho judicial às vésperas da eleição mais instável de sua história recente?

2 respostas para “Lula radicaliza batalha na Justiça para manter campanha de pé”

  1. Saulo Gonzales disse:

    Qual interesse específico do Exc. Ministro Gilmar em revogar a lei que autoriza prisão uma vez condenado em segunda instância?

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