Condenação de Lula não muda cenário até setembro

A chacrinha midiática em torno do julgamento do ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá, no qual teria favorecido a empreiteira OAS para ganhar o imóvel no litoral paulista, não muda o cenário político ao menos até setembro. Nem mesmo sua espera condenação. As muitas dúvidas sobre 2018 vão permanecer.

Seguem e seguirão abertas as questões sobre a absolvição de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), última instância de julgamento sobre a questão fundamental: ele estará ou não enquadrado na Lei da Ficha Limpa e, portanto, impedido de ser candidato?

Outra questão essencial: se os ministros do TSE decidirem que Lula não poderá postular o Palácio do Planalto, ele ainda poderá recorrer ao STF ou acaba tudo no TSE? E se puder, concorrerá, poderá ser eleito e, só após as eleições (7 ou 28/10), poderá ser cassado ou absolvido em definitivo pela via judicial.

Até lá, o País viverá esse suspense bizarro sobre Lula. Nessa toada, ele gozará gostosamente de todas as atenções da imprensa, das redes sociais e, por consequência, dos eleitores. O que, é claro, só o favorecerá. Vale, aqui,  a máxima do “falem mal, mas falem de mim”. Propaganda gratuita a quem está com um pé fora das urnas e que, a se acreditar nas pesquisas, lidera a corrida presidencial.

Neste momento, porém, a maior parte das pessoas não está pensando em eleição. Quer saber da subsistência e da sobrevivência diária, de recuperar ou melhorar de emprego, de consumir, de voltar a sentir o conforto econômico de tempos recentes. Voltando ou indo para a temporada de férias, muitos ainda estão com a cabeça no Carnaval. Só depois disso, virá a dureza do cotidiano.

Tirando toda a gritaria em torno do tema, fato é que se Lula “cair” na Ficha Limpa, certamente tentará levar esse jogo até os 50 minutos do segundo tempo. Não há dúvida. Isso porque a nova Lei Eleitoral permite a oPT mudar o candidato ao Planalto até 20 dias antes da eleição. Se a sua foto estiver na urna, mesmo que o candidato do PT seja outro, Lula poderá invocar a manjada posição de “vítima do golpe” e tentar transferir votos ao novo poste – Dilma e Haddad já se beneficiaram disso antes. Para isso, o prazo final é 17 de setembro. Depois disso, adeus Lula.

 

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