Dólar instável e juros em baixa em 2018

O principal preço do setor agropecuário, o dólar, deve sofrer os solavancos típicos de anos eleitorais. Desta vez, com um agravante: 2018 está desenhado com um período ainda mais instável e cheio de reviravoltas do que as recentes eleições ganhas pelo PT de Lula e Dilma, em 2014, 2010 e 2006.

O próximo ano, avaliam fontes do governo ouvidas pelo Blog, estará mais para a alta volatilidade de 2002, quando o dólar chegou a R$ 4 com o pânico dos mercados com a vitória de Lula, do que para “anos normais” de embates políticos e partidários. Ou seja, é bom preparar as planilhas e afiar a agenda telefônica para consultar quem entende do riscado, além de não desgrudar das cotações diárias e das projeções feitas por especialistas em câmbio.

Para além das questões internas relevantes, como o vai-não-vai da reforma da Previdência, há ainda um cenário de incertezas com juros e inflação nos EUA e os dramas geopolíticos na Coreia do Norte e no Oriente Médio, especialmente na conturbada Arábia Saudita. O Ministério da Fazenda aponta os riscos neste estudo (aqui).

Na outra ponta, é provável um ano menos turbulento para as taxas de juros no Brasil. Mesmo com as discussões técnicas e acadêmicas sobre juros estruturais, as taxas para o setor rural deveriam cair no próximo Plano Safra. Ao menos é o que indica o bom senso. Dependerá, é claro, da força da bancada ruralista e da pressão dos produtores rurais sobre sua representação política.

Com taxas de 8,75% ao ano, o setor está pagando juros reais bem acima da Selic, hoje em 7% ao ano, e ainda mais altos na comparação com o que é cobrado pelo BNDES nos investimentos. O governo reduziu ontem, por exemplo, a TJLP para 6,75%. A nova TLP estreará em janeiro nesse mesmo nível.

Espera-se uma inflação oficial comportada, dentro da meta de 4,5% ao ano. É claro que há riscos, especialmente uma retomada dos preços agrícolas, que tanto contribuíram para levar o IPCA ao menor nível da história.

Ainda assim, a Selic pode ficar bem próxima de 6% ao ano. Ao menos uma nova redução de 0,25% da Selic está contratada para 2018, segundo afirmou o presidente do BC, Ilan Goldfajn ao Valor nesta semana.

Assim, os juros do crédito rural precisam ser mais baixos no curto prazo. A agropecuária deu mais um contribuição essencial ao País em 2017 no controle da inflação. Mas ainda não teve de volta sua parcela de benefícios.

Enfim, não morreremos de tédio neste 2018 que está ali na virada da esquina.

Um excelente Natal e um Ano Novo de muito trabalho e crescimento!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *