No perde e ganha do Senado, Aécio sobrevive, mas Lava Jato agoniza

O balanço da revanche dos senadores, boa parte deles sob investigação no STF, foi bem claro: ao resgatar Aécio Neves das profundezas, o Senado não apenas deu o troco nos ministros do Supremo que afastaram o senador mineiro, mas desafiou a Operação Lava Jato a ponto de deixá-la agonizando em praça pública.

O vexame do STF ao abrir mão de dar a palavra final sobre a adoção de medidas cautelares contra parlamentares já prenunciava esse desfecho. Os 44 votos do Senado contra a decisão da 1ª Turma do Supremo, atingiu em cheio a Lava Jato. Sob o pretexto de salvar Aécio, os senadores votaram mesmo contra a operação que os colocou sob enorme pressão e despidos até as tripas diante do País. Tanto que os pontas de lança de ontem foram as principais estrelas do PMDB, todos envolvidos até a raiz dos cabelos com a Lava Jato: Renan Calheiros, Romero Jucá e o próprio presidente Eunício Oliveira.

Assim, ficou claro ao País que, como escancarou o líder governista Jucá, a última palavra sobre a Constituição sempre será do Senado. Os políticos parecem ter retomado o controle para “estancar a sangria” no STF, e com Michel Temer no comando da República. Salvo se um fato novo, sempre ele, ocorrer em poucos dias.

Sempre que ameaçados, os procuradores e juízes da Lava Jato reagem. Foi assim em várias ocasiões. Talvez volte a sê-lo, embora o juiz Sergio Moro tenha dado claros sinais de exaustão pessoal e tenha avisado sobre os estertores da Lava Jato.

Mais além disso, também perdeu ontem a candidatura de Geraldo Alckmin, já que Aécio é um entusiasta do seu principal adversário, o prefeito paulistano João Doria – que, aliás, jantou ontem mesmo com Michel Temer e pode ter saído do Palácio do Jaburu com um convite para filiar-se ao PMDB em caso de derrota interna para Alckmin.

Mas também perdeu terrivelmente o PSDB, estraçalhado pelo calvário de seu então presidente nacional, engolfado numa disputa intestina e que terá, agora, que explicar esse rolo aos seus fieis eleitores. Tasso Jereissati briga para destituir o mineiro do comando, mas não será uma parada fácil. Aécio controla a máquina partidária com mão de ferro.

Na outra ponta, ganhou Temer, que terá em Aécio, um aliado até então jogado aos leões da Lava Jato, assim como ele próprio, um defensor do mandato presidencial até o fim de 2018. Também ganharam Rodrigo Maia e seus seguidores do “centrão”, que se consolidam em definitivo como fieis da balança para Temer na Câmara. E justamente neste momento de aflição com a segunda denúncia contra o presidente e seus dois braços-direito palacianos, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Afinal, se Maia assumir o Planalto às vésperas das eleições, ganhariam muito e todos os seus aliados de primeira hora.

Entre chantagens, conspirações e ameaças, salvou-se o sistema político, o status quo. Como diz o filósofo, é mudar para ficar igual.

 

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