Carta Insumos – O óleo diesel, o petróleo e o agronegócio brasileiro

A cotação do óleo tem subido continuamente. Com a alta registrada na primeira quinzena de maio, o combustível está custando 16,8% mais do que no mesmo mês de 2017. Um tremendo aumento real, considerando o índice de inflação vigente.

Houve também uma queda de preço. Essa queda aconteceu em março. Um refluxo de 1,6% frente a fevereiro. Daí para a frente a cotação subiu sem interrupção.

Essa alta pode ser explicada, ao menos em parte, pela valorização do barril de petróleo, cuja cotação na primeira quinzena de maio estava em R$274,53/barril, frente à cotação média de abril, que era de R$254,54/barril, alta de 7,9%

De janeiro até a primeira quinzena de maio o preço do petróleo (convertido em barril/R$) subiu 26,7%, enquanto o diesel 7,7% (figura 1).

Figura 1.

Cotação média mensal do óleo diesel nos últimos doze meses, considerando o estado de São Paulo e preço do barril do petróleo, convertido em R$/barril, considerando preço nominal.

Fonte: Broadcast / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Intervenção política nos preços de combustíveis.

Outro fator que afetou o preço do diesel foi a intervenção política no preço dos combustíveis.

Essa intervenção conteve os preços dos combustíveis (dentre eles, o óleo diesel) enquanto o petróleo apresentava fortes altas no mercado internacional, essa foi uma das estratégias adotadas pelo governo entre 2011 e 2014 para conter a inflação.

Entre janeiro de 2010 e janeiro de 2014, o preço do diesel caiu 7,6% e o preço do barril subiu 91,9%, considerando preços deflacionados pelo IGP-DI (figura 2).

Figura 2.

Eixo da esquerda representa o preço do petróleo, convertido em R$/barril, e o eixo da direita a cotação do óleo diesel, em R$/litro, deflacionados pelo IGP-DI.

Fonte: Broadcast / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Mas, não funcionou e, anos mais tarde, além do fracasso em conter a inflação, a Petrobrás teve prejuízos com essa política de preços e a intervenção nos preços dos combustíveis foi revista.

A partir de outubro de 2016, o governo repassou a variação do petróleo para as refinarias, e desde então o barril do petróleo subiu 74,2%, o que colaborou com a valorização do óleo diesel.

E o que isso tem a ver com o agronegócio?

A valorização do óleo diesel repercute diretamente no custo de produção na fazenda, uma vez que os maquinários agrícolas consomem entre 15 e 20 litros de óleo diesel por hora de trabalho
(veja a Carta Insumos publicada pela Scot Consultoria em agosto de 2017 sobre a relação do preço do óleo diesel e o custo da produção na fazenda).

E, apesar do custo do óleo diesel ser apenas uma fração do custo da pecuária de corte, ainda assim ele tem que ser considerado nas contas da propriedade.

Para o pecuarista, em 2018, enquanto a arroba do boi gordo caiu 4,7% desde o início do ano até a primeira quinzena de maio, o óleo diesel subiu 7,7%.

Conclusão

Sempre que há conflitos políticos e possibilidade de guerras em regiões produtoras de petróleo (caso do Oriente Médio, por exemplo), o preço do petróleo sobe e, com a política vigente de repassar para as refinarias essa variação, é fatídica a alta óleo diesel no mercado interno.

É de se esperar, portanto, que o custo-hora-máquina e o de transporte de cargas aumentem e que é bom o pecuarista pensar a respeito.