Carta Grãos – Mercado internacional: Soja brasileira está próxima da liderança

O Brasil é o segundo produtor de soja do mundo, perdendo para os EUA.

Considerando a safra mundial de 2017/18 como referência, 34,5% dela provieram dos EUA, ao passo que 31,0% e 16,3% foram produzidas pelos brasileiros e argentinos, respectivamente (USDA, 2018).

No entanto, segundo as projeções de longo prazo do USDA, até 2028, o Brasil assumirá posição de destaque frente aos seus concorrentes no mercado externo (figura 1).

Figura 1.

Evolução da safra de soja entre 2017/18 e 2027/28 (%)

Fonte: USDA/ Elaborado por: Scot Consultoria

Se o avanço da produção brasileira atender às expectativas, espera-se que o Brasil supere os EUA e ocupe a primeira posição do ranking na safra 2019/20.

A figura 2 ilustra este cenário.

Figura 2.

Desempenho da produção sojicultora dos EUA e do Brasil (mil toneladas)

Fonte: USDA/ Elaborado por: Scot Consultoria

Ao abordar a competição existente entre EUA e Brasil, os destinos de seus produtos e os mercados consumidores que atendem devem ser analisados para a acurácia da projeção da produção.

Com isso em mente, dentre a produção brasileira e norte-americana, cerca de 60,2% e 50,8% do total produzido, respectivamente, são destinados ao mercado externo. Neste contexto, a China tem evidente relevância frente aos importadores (figura 3).

Figura 3.

Participação da China nas exportações do Brasil e dos EUA (%)

Fonte: USDA e UN Comtrade/ Elaborado por: Scot Consultoria

Trazendo esta informação para o cenário vigente, o embate comercial entre a China e os EUA atraiu as manchetes do agronegócio ao Brasil, principal exportador do grão.

Considerando o primeiro trimestre do ano como referência, as exportações norte-americanas aos chineses caíram 23,4% ante 2017, o que alavanca o ritmo dos negócios e cria oportunidades promissoras para o Brasil (USDA, 2018).

A valorização do dólar, a quebra de safra argentina e a previsão de safra recorde nacional também fomentam a expectativa positiva com relação às exportações de soja brasileira em 2018 e indicam um possível crescimento ainda maior da China no destino dos embarques nacionais, cuja evolução é exponencial (figura 4).

Figura 4.

Exportações de soja do Brasil à China (mil toneladas)

Fonte: UN Comtrade/ Elaborado por: Scot Consultoria

Vale dizer que as exportações nacionais no acumulado de abril registraram 1,7% de queda ante o mesmo período de 2017. Apesar deste dado desanimador, a receita obtida com esses embarques cresceu 4,2%, graças à alta de 31,1% nas cotações, considerando o mesmo período, o que firma as expectativas (COMEXSTAT, 2018).

Considerações finais

O possível estreitamento de laços com os chineses e a maior demanda pelo produto brasileiro culminarão em maior rentabilidade ao setor. Com isso, a expectativa é de que a área plantada e a produção nacional ganhem ritmo acima do projetado pelo USDA durante os próximos anos.

Referências Bibliográficas

COMEXSTAT. Exportação e Importação Geral. Disponível em: http://comexstat.mdic.gov.br/pt/geral. Acesso em: 07/05/2018.

UN COMTRADE. Database. Disponível em: https://comtrade.un.org/. Acesso em: 05/05/2018.

USDA. International Baseline Data. Disponível em: https://www.ers.usda.gov/data-products/international-baseline-data/international-baseline-data/. Acesso em: 05/05/2018.

USDA. Foreign Agricultural Service. Disponível em: https://apps.fas.usda.gov/psdonline/app/index.html#/app/advQuery . Acesso em: 07/05/2018.