Carta Grãos – Pós quebra de safra argentina, clima adverso traz prejuízos ao milho norte-americano

As projeções de safra dos Estados Unidos (EUA) para até 2027 foram revisadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com a estimativa de produção da safra 2018/19 sendo 0,4% menor que a registrada na safra anterior.

A ocorrência de neve, temperaturas gélidas e solos secos na região do cinturão do milho não têm favorecido os trabalhos no campo.

O plantio está 10% atrasado ante a safra 2017/18, e em relação à média dos últimos cinco anos, o atraso é de 9%.

Em Iowa, principal estado produtor, o solo atingiu as menores temperaturas dos últimos 20 anos, fato que preocupa os agricultores da região.

Ao passo que a semeadura de milho atingiu 5% da área prevista até o dia 22/4, o cultivo da soja, ainda que moderado, alcançou 2%, sendo equivalente a média das últimas cinco safras.

Todavia, conforme ilustrado nas figuras 1 e 2, temperaturas mais amenas ganharão força no cinturão agrícola durante as próximas semanas, o que favorecerá os avanços e o ritmo das operações em campo.

Figura 1. Previsão de temperaturas entre os dias 23 de abril e 1 de maio, em °F

Fonte: IGES/COLA/USDA – Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Figura 2. Previsão de temperaturas entre os dias 1 e 9 de maio, em °F

Fonte: IGES/COLA/USDA – Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Além disso, para a primeira quinzena de maio, espera-se que a precipitação ganhe volume e frequência.

Com isso, a expectativa para o longo prazo é de crescimento de 0,7% na área semeada com milho para a safra 2018/19 (figura 3). Apesar deste incremento, o atraso do plantio vai de encontro com a queda em produtividade, estimada em 1,1%.

Figura 3.
Projeções para a produção e área plantada de milho nos EUA

Fonte: USDA/ERS – Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Segundo dados do USDA, em comparação com março, as estimativas de produção de milho no Brasil e Argentina também caíram, respectivamente, 2,6% e 8,3%.

Este cenário de oferta pressionada contribui para a valorização da cotação no mercado interno, que está 43,9% acima do registrado em abril de 2017 (figura 4).

Figura 4.
Cotações do milho entre março de 2017 e abril de 2018 (R$/60kg)

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Considerações Finais

A expectativa é de volatilidade no mercado do milho de acordo com as revisões de área no hemisfério norte e acompanhamento de safra na América do Sul.

Com a entressafra norte americana, o mercado está atento às questões climáticas que têm direcionado os negócios.

Diante deste quadro de menor oferta do grão, qualquer adversidade climática terá grande influência nas cotações, além do câmbio, que, dependendo do rumo, pode afetar o preço do cereal.

No mercado interno, o monitoramento se volta à segunda safra brasileira que poderá firmar a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.